terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Guilherme Boulos é liberado



Do Sul21:

O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Guilherme Boulos, foi liberado no início da tarde desta terça-feira (17) após prestar depoimento no 49º Distrito Policial de São Paulo. Ele tinha sido detido pela manhã sob a acusação de desobediência civil durante uma ação reintegração conduzida pela Polícia Militar na ocupação Colonial, na zona leste de São Paulo. As informações são da Mídia Ninja, que acompanhou a operação desde o início.
A detenção de Boulos gerou uma forte reação negativa nas redes sociais entre os movimentos sociais e políticos de esquerda. No 49º DP, Boulos recebeu ativistas, defensores dos direitos humanos e políticos, como o vereador paulistano Eduardo Suplicy (PT).
De acordo com o MTST, Boulos negociava com a PM para que as cerca de 700 famílias que estão sendo despejadas nesta terça tivessem um desfecho favorável, mas acabou detido pela acusação de desobediência civil – informação também confirmada pela Folha de S.Paulo, jornal do qual Boulos é colunista. Segundo a Mídia Ninja, policiais que o prenderam teriam citado sua participação em protestos como o governo Temer para justificar a prisão. Também teriam afirmado que possuem horas de gravações de Boulos em outras manifestações.
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Entregar redes às multinacionais é entregar controle de nosso espaço aéreo


Se é para entregar o espaço aéreo aos gringos... 

Por Fernando Britto

Incrível a notícia de hoje, no Estadão, de que a Aeronáutica pretende privatizar o controle da gestão da rede de telecomunicações usada pela Aeronáutica para a defesa, vigilância e controle do tráfego aéreo.

Privatizar é pouco: pretende entregar âs multinacionais:
“Dezessete empresas participaram da audiência pública, duas com maior interesse: o grupo mexicano Claro/Embratel e a americana Harris. As companhias apresentaram uma proposta que pode servir de base para o edital da licitação, que será lançado no fim deste semestre”
Embora vá continuar exercendo a tarefa de operar, a partir desta rede, o controle do tráfego aéreo e da defesa do espaço aeronáutico nacional, é obvio que quem controla a rede sabe tudo o que trafega por ela.
Dispensam-se, portanto, a NSA e os satélites espiões, todos os registros de navegação aérea – e isso inclui a militar – já vão direto para mãos estrangeiras, da fonte. Isso, claro, compreende todas as simulações, com táticas e alcances de seus vetores (aviões e mísseis) , da defesa aérea brasileira.
A reportagem, parcialmente publicada na internet, registra o cinismo de que “haverá salvaguardas” no caso de o Brasil entrar em guerra com o país da empresa que controle a rede de telecomunicação de nossa Força Aérea. Que guerra? De posse destas informações, toda a nossa capacidade de reação aeronáutica, que se funda na capacidade de reação imediata e pontual e não num confronto prolongado contra forças imensamente maiores , estará destruída e minutos ou horas antes que sequer se redija o ato de intervenção na rede de comunicações.
Se é só uma questão de economia, seria melhor pensar em fechar a Força Aérea, porque uma Força sobre a qual se sabe como age, com todos os detalhes de posição, rotas, altitudes, formações e táticas não serve nem para videogame.
A Harris, por exemplo, é contratada por valores imensos pelas forças armadas norte-americanas para montar sistemas de comunicação. E ela mesmo diz em sua página promocional:
 Se você está defendendo seu país, os mares, ou os céus – você precisa de uma comunicação segura na  qual você possa  confiar. Os poucos momentos  necessários receber uma mensagem ou responder a uma ameaça podem afetar dramaticamente o resultado de uma situação.
Podem, não é? Dramaticamente, para nós.
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A propósito do post do Fernando Brito "entregar às redes multinacionais o nosso espaço aéreo é entregar o nosso controle" e, agora, com a notícia de que o Traíra resolveu devolver ao Exército o papel que, na Escravidão, a ele se confiava - o de capitão do mato -, amigo navegante escreveu furioso comentário:
Ao invés de defenderem a soberania nacional, ficam caçando comunista (ou petista bolivariano) embaixo da cama.
São incompetentes para a segurança externa: os americanos com 2 ou 3 bases fariam melhor e mais barato.
Para a segurança interna, não servem mais: as polícias militares resolvem o problema, sabem reprimir, torturar e matar melhor que eles.
E extinguir as Forças Armadas, essas que vendem o espaço aéreo e deixam o Pedro Malan Parente entregar o pré-sal, com sua sumária extinção teríamos várias vantagens, como a economia com pensões para gente como a Maitê Proença, além de não precisarmos mais gastar dinheiro com brinquedinhos como tanques, caças, submarinos etc, que, no passado, seriam para defender o interesse (nacional brasileiro).
Assim economizaríamos um bom dinheiro e nossos amigos americanos cuidariam de tudo, como bons e leais aliados que sempre foram...
Quem disse que o Golbery morreu?
Pergunte ao Gasbery, que fala com ele todas as noites...

Assinado, janguista furioso
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PAU MANDADO DOS METRALHAS MARINHO ENGAVETA GLOBO E FHC!


O Dr Moro nao foi à farofada... E o "bandido" é o Lula! 

​A propósito daquele triplex de Paraty que não tem dono e no qual o cachalote não ousará pisar, vale a pena recordar que o Conversa Afiada a permanência do Dr Janot à frente da PGR por mais quatro, seis, oito anos​, os deputados Paulo Pimenta e Wadih Damous tomaram a liberdade de importunar o Dr Janot:
“Escândalo Panamá Papers, que envolve Globo e FHC, 'dorme' nas mãos de Janot há quase um ano” denuncia Pimenta
Há quase um ano, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) busca junto ao Ministério Público Federal que seja aberta uma investigação para apurar as conexões entre a Rede Globo, a FIFA, o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e offshores do Panamá que teriam sido utilizadas para cometer crimes contra o sistema financeiro, a ordem tributária e a administração pública. O escândalo, conhecido como Panamá Papers, utiliza empresas de fachada para lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial.
Em março de 2016, Paulo Pimenta e o deputado Wadih Damous (PT-RJ) entregaram farta documentação à Procuradoria-Geral da República e protocolaram uma representação, subscrita por mais de 30 parlamentares, solicitando abertura de investigação. No dia 8 de março de 2016, diante do surgimento de novos fatos, os parlamentares fizeram novo pedido ao MPF.
Sem qualquer resposta, Pimenta protocolou mais uma representação no dia 10 de maio de 2016. Segundo o deputado, em todas oportunidades, os parlamentares ouviram como resposta que o MPF “estaria adotando todos os procedimentos necessários e que seriam informados sobre a adoção dessas medidas”.
Ontem (16), Pimenta fez nova tentativa, e mais uma vez cobrou informações acerca das providências adotadas pelo MPF até o momento sobre o escândalo Panamá Papers. “Ao que tudo indica, a documentação está parada há quase um ano nas mãos da Procuradoria”, lamentou Pimenta.
Panamá Papers
De acordo com as investigações jornalísticas, empresas de papel criadas pela Mossack Fonseca auxiliaram na ocultação de fortuna pelo mundo. Essa empresa panamenha ganhou – e logo perdeu – os holofotes da grande mídia brasileira por conta das operações policiais Lava Jato.
Representantes da Mossack Fonseca no Brasil, Carolina Auada e Ademir Auada foram interceptados pelos investigadores da PF destruindo provas. Por esse crime eles foram presos, mas, pouco depois, o juiz Sérgio Moro mandou soltá-los, sob justificativa de que “apesar do contexto de falsificação, ocultação e destruição de provas, (...) na qual um dos investigados foi surpreendido, em cognição sumária, destruindo quantidade significativa de provas, a aparente mudança de comportamento dos investigados não autoriza juízo de que a investigação e a instrução remanescem em risco".
O que se soube depois é que a Globo possui ligações com a Mossack Fonseca. A mansão da família Marinho, em Paraty (RJ), e um heliponto usado pelos filhos de Roberto Marinho estão registrados no nome de uma empresa de fachada ligada à Mossack Fonseca, a Vaincre LCC.
Nesse emaranhado de empresas de papel, surge também Brasif, outra empresa vinculada à Mossack Fonseca. A Brasif, por sua vez, está ligada à Globo pelo pagamento de Miriam Dutra, jornalista e ex-namorada de FHC.
A Brasif era proprietária da Eurotrade Ltd, com sede nas Ilhas Cayman. A Eurotrade Ltd. firmou, em 2002, contrato com a jornalista Miriam Dutra, segundo a qual FHC – com quem ela teria um filho – usou essa empresa para bancá-la no exterior. A Brasif era concessionária das lojas ‘dudy free’ nos aeroportos.
A Brasif, segundo a Folha de São Paulo, conseguiu “derrubar medida criada no governo FHC para limitar a US$ 300 por pessoa (eram US$ 500) o gasto nos free shops, além de ter dominado praticamente sozinha a concessão desse tipo de loja em aeroportos.
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JANETE MATOU A ACUSAÇÃO CONTRA LULA


Você é um jênio, Janot. Bem que o Mineirinho dizia... 

A propósito do post "Lula é bandido, como disse Janot ao Aragão, logo, Janot tem que ficar", amigo navegante muito sabido enviou o seguinte breve e mortífero comentário:
Janot m​atou a acusação do MPF contra o Lula...
O caso acabou.
O problema é como encerrá-lo.
​O PiG​ topa para não pegar o pessoal del​e​ (PSDB e aproximados).
O problema é que sem apagar o que foi feito contra o Lula o outro lado não topa e vai ficar escandaloso demais.
Até pra eles, Golpistas da Lava Jato, MPF e PF aecista.
É possível que uma certa alternativa radical pra estancar essa porra ​esteja realmente sendo pensada.
Muito complicado​ ainda...
​Janot, voce é um jênio!
Bem que o Mineirinho, da lista de alcunhas da Odebrecht​ sempre disse!
E a gente duvidava.
Não é mais o caso!
Assinado, navegante infatigável

MILICIA DE ALCKMIN USA VIOLÊNCIA E PRENDE BOULOS EM REINTEGRAÇÃO DE POSSE EM SÃO PAULO


Líder do MTST preso pela PM de São Paulo durante reintegração de posse de um terreno 
particular, sob a acusação de "desobediência civil", disse que a sua prisão foi "evidentemente 
política"; "Não há nenhum motivo razoável. Eu fui lá negociar para evitar que houvesse a 
reintegração. Foi uma prisão evidentemente política", afirmou; "Alegaram incitação à 
violência e descumprimento de ordem judicial, que é descabido. Fui negociar com o oficial de 
Justiça. Ele estava presente para oficiar que o Ministério Público havia pedido a suspensão da 
reintegração ontem (segunda-feira [16]) e o juiz ainda não tinha julgado. Fui falar que seria 
razoável eles esperarem o resultado antes de reintegrar as pessoas. Foi o que eu disse pra eles. 
Se isso é incitação à violência, então eu incuti a violência", declarou.



Da Rede Brasil Atual - Com bombas, balas de borracha, gás lacrimogênio e muita violência, a tropa de choque da Polícia Militar executou na manhã de hoje (17) ação de reintegração de posse da Ocupação Colonial, na região de São Mateus, zona leste de São Paulo. No local, cerca de 700 famílias ocupavam uma área composta por dois terrenos particulares e um terreno da prefeitura e que agora não tem para onde ir.
Dezenas de policiais do batalhão de choque, além de caminhões blindados, estavam concentrados desde o início da manhã. A Justiça de São Paulo decidiu pela reintegração há cinco dias. Os moradores da ocupação tentaram negociar o adiamento da desocupação para que, ao menos, as famílias fossem devidamente cadastradas em programas de habitação da prefeitura.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) também chegou a entrar com ação pedindo a suspensão da reintegração. Ainda assim, a reintegração foi executada, antes mesmo que a Justiça pudesse julgar o pedido do MP.
Lideranças do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) pediam que os policiais aguardassem algumas horas até o horário de abertura do Fórum, quando o recurso poderia ser julgado. "Se o juiz acata esse pedido de adiamento, olha a situação que vai se criar", apelava Guilherme Boulos, líder do movimento.
"Um terreno abandonado há mais de quarenta anos. Ninguém nunca fez nada. Agora que a gente fez alguma coisa para sair do aluguel, eles vêm tomar", reclamou outro morador.
Os moradores chegaram a esboçar resistência, com uma barricada na rua de acesso à ocupação. Há relatos de moradores feridos, repórteres que sofreram asfixia devido ao uso de gás lacrimogênio pelos policiais, e até animais de estimação machucados pela ação policial. A repórter da Rádio Brasil Atual, Anelize Moreira, também passou mal, por efeitos das bombas de gás.
É a primeira reintegração de posse executada na gestão do prefeito João Dória (PSDB), que afirmou diversas vezes que não iria tolerar ocupações.
Até às 9h30, os moradores ainda acompanhavam a desocupação e tentavam retirar seus pertences. Eles deverão rumar para um novo acampamento, ainda sem local definido. "Não tenho lugar. Não sei o que vou fazer. Vou por as minhas coisas na garagem de uma amiga, e não tenho para onde ir. Sou sozinha, tenho 70 anos. Não sei o que fazer da minha vida", relatou uma moradora da ocupação. Os moradores da Ocupação Colonial encontravam-se dispersos pela região, abrigados da chuva por vizinhos. As crianças foram abrigadas em uma igreja também nas proximidades.
Em sua página no Facebook, o MTST comunicou que Guilherme Boulos, havia sido preso pela PM de São Paulo. Em nota, o movimento classifica a prisão como "absurda" e ressalta que Boulos esteve o tempo todo procurando uma mediação para o conflito. Boulous foi preso por desobediência, e conduzido ao 49º DP, onde presta depoimento.

Leia a nota na íntegra:

"Prisão absurda de Guilherme Boulos

O companheiro Guilherme Boulos, membro da coordenação nacional do MTST, que estava acompanhando a reintegração de posse da ocupação Colonial, visando garantir uma desfecho favorável para as mais de 3000 pessoas da ocupação, acaba de ser preso pela PM de São Paulo sob a acusação de desobediência civil.
Um verdadeiro absurdo, uma vez que Guilherme Boulos esteve o tempo todo procurando uma mediação para o conflito.
Neste momento, o companheiro Guilherme está detido no 49ª DP de São Mateus.
Não aceitaremos calados que além de massacrem o povo da ocupação Colonial, jogando-os nas ruas, ainda querem prender quem tentou o tempo todo e de forma pacífica ajuda-los.

Movimento dos Trabalhadores Sem Teto"







segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

VÓ ADAMS "LVA AS MÂOS" NO CASO DA DOAÇÂO ÁS TELES



POR FERNANDO BRITO 

A Ministra Carmem Lúcia “lavou às mãos” no caso da maracutaia que doa, segundo os cálculos do 
Tribunal de Contas da União, cerca de R$ 100 bilhões em patrimônio público entregue às empresas 
de telecomunicações quando de sua privatização, no Governo Fernando Henrique Cardoso.
Disse que “não há urgência” no pedido para que a nova Lei das Teles seja apreciada no plenário do 
Senado e não apenas nas comissões onde foi aprovada.
O caso, agora, vai, depois do recesso, voltar ao relator, ministro Teori Zavascki, sem prazo para 
decidir.
E, portanto, a lei volta a ter condições de ser sancionada por Michel Temer.
Até agora, com a suspensão do processo decretada na antevéspera do natal, não poderia.
É inacreditável que “não haja urgência” em algo desta grandeza.
Mesmo que fosse correto o “desconto” que a Anatel estima no valor, para R$ 20 bilhões de reais, é 
uma bolada.
100 ou 20 bilhões, uma vergonha.
Que, claro, não é urgente deter.
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PREÇO DA ALIANÇA COM O SINDICATO DE LADRÔES FOI O ASSALTO AO ESTADO


A cada dia que passa, fica claro o preço que a presidente deposta Dilma Rousseff teve que 
pagar para garantir a governabilidade, antes do golpe parlamentar que a derrubou; para 
conseguir os votos do PMDB no Congresso, Dilma teve que engolir Geddel Vieira Lima numa 
vice-presidência da Caixa Econômica Federal e aliados de Eduardo Cunha em postos chave da 
administração federal – todos, é claro, indicados pelo então vice-presidente Michel Temer; 
agora que se sabe a finalidade dessas indicações, quem foi às ruas contra a corrupção se dá 
conta de que a presidente honesta foi derrubada para que o PMDB, que vendia seu apoio no 
Congresso, pudesse governar sem intermediários.

247 – A Operação Cui Bono, deflagrada na sexta-feira pela Polícia Federal, foi pedagógica. Revelou 
que Geddel Vieira Lima, indicado por Michel Temer para uma vice-presidência da Caixa Econômica 
Federal, estava lá com uma finalidade específica: garantir recursos para o PMDB e políticos aliados 
por meio de propinas cobradas de grandes empresários. Tudo isso em parceria com Eduardo Cunha, 
outro grande parceiro de Temer.
No modelo político brasileiro, do chamado presidencialismo de coalizão, Dilma se elegeu duas vezes 
presidente da República, mas sempre em minoria no Congresso. A aliança com o PMDB, em tese, 
deveria dar equilíbrio aos governos do PT.
No entanto, mesmo tendo Michel Temer como vice, a relação PT-PMDB sempre foi tensa. Políticos 
como Geddel e Cunha, além de Eliseu Padilha e Moreira Franco, outros expoentes do quarteto ligado 
a Temer, sempre cobravam mais espaços no governo.
Como Dilma conhecia as intenções desse quarteto, ela fazia o máximo possível para conter o 
estrago. Por isso mesmo, frequentemente, era acusada de inabilidade política. No glossário 
peemedebista, ser inábil politicamente significa não entregar a mercadoria.
Dilma engoliu essa turma enquanto pôde. No entanto, quando Cunha se elegeu presidente da 
Câmara, provavelmente financiando uma penca de deputados, como revelam as mensagens trocadas 
com o Pastor Everaldo (leia aqui), o preço se tornou alto demais. Se antes era necessário entregar 
apenas os anéis, agora era hora de dar os dedos, as mãos, os braços e os colares.
Como Dilma não cedeu, perdeu o pescoço. Curiosamente, no entanto, os brasileiros que foram às 
ruas contra a corrupção contribuíram para a deposição de Dilma e para instalar no poder justamente 
os maiores especialistas em mercantilização da política. A presidente honesta foi derrubada para que 
o PMDB, que vendia seu apoio no Congresso, pudesse governar sem intermediários.
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A destruição de Lula é a destruição de uma reserva de combate



POR ALDO FORNAZIERI, professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo.

Na peça Galileu Galilei, Bertolt Brecht estabelece uma polêmica acerca do sentido e do significado do herói. Em conversa com seu secretário Andreas o sábio italiano enfrenta a angústia de defender a verdade de que a Terra não é centro do sistema planetário sabendo que a Santa Inquisição lhe ceifaria a vida ou de negar a verdade e continuar mantendo a dádiva da vida. Andreas, jovem idealista, incita o mestre a defender a verdade da evidência científica argumentando que a possível morte o tornará herói. Entre as ponderações dos argumentos, Andreas declara: “Pobre do povo que não tem herói!”. Ao que Galileu responde: ” Não Andreas. Pobre do povo que precisa de herói!”.
Brecht adota o partido de Galileu, mas penso que se enganou. A tese interpretativa da negação do herói sustenta que um povo que precisa de herói não é um povo liberto. É um povo escravo de fato ou escravo da ignorância e do medo. Sustenta-se que a liberdade é uma atitude coletiva que se isenta da necessidade do herói. Muitos marxistas esposaram a tese de Brecht, mas não Gramsci, por exemplo, que compreendeu perfeitamente não só a importância do herói, mas também a força simbólica do mito que deveria ser encarnada na ideia de partido como moderno príncipe sem, contudo, suprimir o papel do líder, do herói no sentido da sua individuação.
Não há uma oposição entre o papel do herói e a construção de uma vontade coletiva. Aliás, não há registro na história dos povos que indique o surgimento de uma potente vontade coletiva transformadora sem a existência de um líder-guia, de um herói. A preponderância de um e de outro – herói ou vontade coletiva – depende muito das circunstâncias, da cultura de cada povo e das virtudes presentes em um ou na outra. Os gregos antigos, por exemplo, enfatizaram sobremaneira a importância do herói. Já, na República romana, os líderes destacaram a vontade coletiva do povo e suas virtudes como a força de construção de um sentido grandioso de Roma, criando uma das primeiras teorias do destino manifesto.
De qualquer forma os heróis desempenharam um papel fundamental para referenciar as atitudes humanas, as atitudes de um povo. E, mesmo neste mundo liquefeito de hoje, neste mundo da impermanência, eles continuam a desempenhar um papel positivo. É verdade que existe mais de um modelo de herói e, na tipologia grega clássica, temos praticamente uma antípoda entre Aquiles que faz grandes feitos, pela sua ousadia, e morre jovem para projetar-se na memória eterna dos humanos e Ulisses que, com sua prudência, enfrenta todo tipo de adversidade, mas chega a uma velhice triunfante.
O herói é um portador de virtudes – coragem, ousadia, prudência, etc. – mas, acima de tudo, como referencia moral da conduta do povo e dos cidadãos e como referência ética que orienta do sentido de futuro da cidade ou da nação, ele se define também pela exemplaridade de seus atos e de sua conduta. Atos e condutas exemplares são o amalgama que unificará e agregará o povo e será o fundamento da lei justa que, em grande medida, substituirá a própria função do herói, já que o povo encontrou o seu fundamento moral e ético.
O herói expressa também um recurso simbólico extraordinário, capaz de mobilizar energias e princípios nos momentos de crise ou nos momentos de realização de elevados empreendimentos coletivos. Quase todos os povos têm seus heróis e seus líderes significativos, mal ou os bem, lançam mãos a esses recursos simbólicos. Não por acaso, em seu discurso de despedida, Obama, em face a este momento angustiante em que vivem os Estados Unidos, recorreu duas ou três vezes aos Pais Fundadores.
As elites brasileiras e a destruição ética do país
Costuma-se dizer que o povo brasileiro não tem heróis no sentido nacional, popular e político do termo. Há uma boa dose de verdade nisso. A singularidade da nossa desditosa história, a indigência da nossa formação política e cultural, a carência de movimentos nacionais e populares na nossa formação, fraqueza das nossas virtudes coletivas e as dos nossos líderes e, principalmente, a violência recorrente das elites e do Estado contra os movimentos e líderes que lutaram por direitos e bem estar coletivo constituem causas dessa carência de heróis.
Em que pese tudo isto, existem, contudo, em nossa história, dois líderes que se aproximam da ideia de herói no sentido nacional, popular e político do termo. Trata-se de Getúlio Vargas e de Lula. Claro que quando se fala de Lula há algo de problemático na medida em que nunca é possível dizer algo definitivo de quem está vivo. Mas, com essa ressalva, cabe reconhecer que Vargas e Lula são os dois líderes nacionais que mais imprimiram um sentido ético à nação, no sentido de tentar unificá-la em torno do propósito de uma sociedade justa e do bem estar coletivo. O termo “ética” aqui é empregado no seu senso aristotélico, vinculado aos fins públicos comuns do bem estar e da justiça.
Dito isto cabe observar que tanto Vargas, quando vivo e mesmo que morto, e Lula em vida, sofrem uma perseguição tenaz por parte de setores das elites. Ao querer se destruir sua representação simbólica quer-se destruir a sua expressão enquanto referencial do sentido ético do Brasil e de seu povo. Quer-se destruir aquela energia simbólica que pode ser fonte de emanação de lutas e mobilizações, no presente e no futuro, por mais direitos e justiça. Quer-se destruir o sentido orientador da ideia de igualdade na construção de uma sociedade mais justa e digna. A destruição de Vargas e de Lula é a destruição de uma reserva de combate, por mais contradições e paradoxos que ambos representem. O fato é que as elites brasileiras sequer suportam a presença e a simbologia de figuras como Vargas e Lula mesmo que em seus governos partes das elites tenham sido beneficiadas.
É também nesta chave compreensiva que se deve entender a perseguição impiedosa que o juiz Moro, o procurador geral da República Rodrigo Janot, os procuradores representados na figura de Deltan Dallagnol e setores da Polícia Federal e do Judiciário movem contra Lula. De todos os processos e indiciamentos contra o ex-presidente, até agora, não há razoabilidade em nenhum deles. A perseguição, as denúncias vazias, os vazamentos seletivos, contudo, estimularam o golpe-impeachment e promoverem danos irreparáveis a Lula.
Como explicar a conduta desses agentes da persecução? Claro que existem interesses pessoais e políticos na perseguição, vaidades, ódios, rancores e frustrações. Mas esses agentes não deixam de ser a representação da violência atávica das elites brasileiras contra todo o sentido da construção ética de uma sociedade justa e igual e de tudo o que significa luta nacional e popular por direitos. Como serviçais das elites, esses agentes não deixam de se sentirem donos do Estado, donos dos instrumentos da violência concentrada, portadores de uma imemorial consciência dos privilégios patrimonialistas.
Direitos, justiça e igualdade e a constituição ética do Brasil e da sociedade, portanto, são ameaças aos interesses, ao poder e ao mando das elites e de seus agentes. De tempos em tempos promovem uma degola das conquistas alcançadas através das lutas. É isto que se está vendo neste momento com o governo Temer. Nestes surtos violentos e destrutivos da agregação social e do sentido ético, agridem também com mais violência as representações simbólicas dessas lutas e dessa construção. Os movimentos sociais e políticos progressistas precisam compreender que quando se trata de democracia, direitos, liberdade, justiça e igualdade nunca há uma garantia definitiva. A manutenção das conquistas e sua ampliação requer lutas e mobilizações permanentes.
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TUCANOS DE SP EXPORTARAM O PCC


"A melhor maneira de acabar com a droga é fechar o Denarc" 

Governo de SP 'exportou' PCC para outros Estados ao transferir presos

Por Rogério Gentile

A organização criminosa PCC surgiu em 1993 num presídio de segurança máxima de Taubaté, no 
interior paulista. Cerca de 23 anos depois, possui ramificações em todos os Estados brasileiros, com 
mais ou menos força.
O crescimento espantoso possui várias explicações, mas não há como ignorar o fato de que ele foi 
facilitado por uma polêmica política de transferência de presos perigosos. São Paulo exportou o PCC 
para outras regiões do país.
Segundo o Ministério Público de SP, em outubro de 2014, a facção tinha cerca de 10 mil criminosos 
afiliados, 26% deles fora do Estado. Hoje, quando trava uma guerra com outras quadrilhas para 
dominar rotas e monopolizar o tráfico de drogas no país, possui cerca de 21,5 mil "batizados", 64% 
deles para além da fronteira original.
Os dados são naturalmente imprecisos, dada a óbvia dificuldade para apurá-los, mas incontáveis 
escutas telefônicas mostram a intenção estratégica da facção de se espalhar pelas cinco regiões do 
Brasil –o PCC já "batizou" cerca de 3,5% da população carcerária, calculada em torno de 607 mil 
pessoas. Parece pouco, mas é quase o número total de funcionários da Volkswagen no Brasil.
MIGRAÇÃO
O início do processo de migração do PCC, no entanto, foi estimulado irrefletidamente pelo governo 
paulista que, na tentativa de desarticular o movimento que ganhava força nos presídios do Estado, 
transferiu em 1998 os seus cabeças para o Paraná, numa operação cercada de discrição. "O efeito foi 
o contrário", diz o promotor Lincoln Gakiya, que atua na região Oeste do Estado.
José Márcio Felício, o Geleião, e César Augusto Roris da Silva, o Cesinha, estavam entre os 
transferidos.
Fundadores do "partido do crime", Geleião e Cesinha incentivaram a criação do Primeiro Comando 
do Paraná, que logo mostrou sua face com três rebeliões. Atualmente, o Estado é um dos mais 
importantes braços da organização.
Marcola, o principal chefe da facção, assim como outros "capos", também passeou bastante pelos 
presídios do país. Esteve no RS, em DF, GO, MG, circulando por várias penitenciárias e 
disseminando a cartilha do PCC. Em Brasília, por exemplo, criou o PLD (Partido Liberdade e 
Direito), nome bonito para uma associação que chegou a carbonizar detentos inimigos durante 
rebeliões.
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O PCC é uma das obras monumentais dos 34 anos de domínio da facção PSDB sobre a Província de 
São Paulo.
Além de exportar o PCC para o resto da América do Sul - onde se materializará o "imperialismo 
brasileiro através da droga", - os jênios tucanos realizaram, com a ajuda providencial da "teoria da 
dependência":
• fizeram um acordo com o Marcola na cadeia, para acabar com o controle do PCC sobre a cidade de 
São Paulo, em 2006, quando morreram 564, entre vítimas inocentes, criminosos e agentes da polícia 
que matavam criminosos e inocentes;
• proibiram os órgãos do PiG de chamar o PCC de PCC e, sim, de "organização criminosa", o que 
deixa o espectador da Globo em dúvida: trata-se do PCC ou do PSDB de São Paulo?;
• construíram na "Polícia" um Departamento de Combate à Droga, Denarc, que se imortalizou com a 
frase do traficante colombiano Abadia: "se quiser acabar com o tráfico, tem que fechar o Denarc".

PHA


Policiais contam cabeças que ainda estão em cima do pescoço - Foto de Frankie 
Marcone/Futura Press

ESPECIALISTAS REBATEM DEFESA DE BARROSO DE PRIVATIZAÇÃO DA UERJ


O Movimento "Direito para Quem?" destacou em nota que o ministro utilizou de eufemismo 
para defender a privatização do ensino e que, de forma conveniente, não responsabilizou as 
administrações de Cabral e Pezão, ex e atual governador do Estado, no sucateamento da 
Universidade

Do Justificando – Em artigo publicado no jornal O Globo neste sábado, 15, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu um modelo de financiamento privado para as Universidades Públicas nos moldes norte-americanos. O ministro se baseou na crise financeira na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) para propor a privatização do ensino público superior. “Precisamos conceber uma universidade pública nos seus propósitos, mas autossuficiente no seu financiamento” – afirmou.
O ministro ainda defendeu a reunião das “melhores cabeças do país e, talvez, uma consultoria internacional” para repensar o sistema público de ensino, além dela ter uma gestão profissional e “despolitizada”.
O artigo causou incômodo e foi rebatido por especialistas e movimentos. Nas redes sociais, o Professor da Universidade Federal Fluminense e Doutor pela UERJ, Enzo Bello, destacou que não há como se comparar o contexto estadunidense com o brasileiro – “Nas linhas e entrelinhas, [Barroso] indica o modelo estadunidense, financiado por “doações de ex-alunos” e grandes corporações privadas. Contexto completamente diferente do Brasil, sobretudo em termos de formação histórica, cultural, socioeconômica… e constitucional!”.
Luís Roberto Barroso, o filho ingrato da universidade pública



POR FERNANDO BRITO 

O Dr. Luis Roberto Barroso tem a marca daquilo que de pior o caráter humano pode ter: a ingratidão.
Ele e eu nascemos no mesmo ano – 1958 – e ontem, numa reunião de queridos amigos, eu comemorei os 40 anos passados desde que nos conhecemos, na turma que iniciou seus estudos em 1997 na Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Muitos de nós não estaríamos ali se a universidade não fosse pública e gratuita.
É verdade que alguns poderiam pagar, mas mesmo os que vinham de classe média, olhe lá se poderiam desembolsar uma mensalidade cara.
Ainda assim, o fato de todos sermos iguais – podendo ou não – foi o responsável por sermos até hoje, sendo diferente, sermos iguais e, poir isso, à parte às nuances de opinião de cada um, nos entendermos sempre e nos aceitarmos como nunca.
Não sei se a família do Dr. Barroso poderia pagar o prestigiado curso de Direito da UERJ – no qual ele se vangloria de ter sido o 1° colocado nas provas para livre docente e titular.
Coisa tão idiota quanto eu dizer que, já casado e pai de filhos, em que posição passei no vestibular para lá, no curso de Direito que não pude terminar, mesmo grátis, porque a vida é dura.
Mas o Dr. Barroso não se alimentou com os recursos da educação pública: não, entupiu-se deles.
E agora, que é dono de uma rica banca de advocacia, pelos méritos que aquele ensino gratuito lhe permitiu acumular, vomita como inservível.
Minha mãe, filha de um operário e uma costureira, foi aluna da mesma universidade do Dr. Barroso, então ainda Universidade do Distrito Federal, que agora está ameaçada de ser fechada.
Posso, orgulhosamente, dizer ao Dr. Barroso que, na minha família, ninguém cospe no prato onde comeu saber, conhecimento, dignidade.
Não vou me elevar a argumentos teóricos, como os expostos por professores de Direito no site Justificando.
Fico nos morais: aquilo que a sociedade me deu, como base pra o que sou hoje, tem valor social.
Subordinar ao dinheiro privado a minha mãe intelectual, com todos os defeitos que possa ter, é prostituí-la.
O que o Dr. Barroso, filho bem cuidado da universidade pública, faz, para mim, tem este nome.
Tenho dúvidas de que poderíamos querer ser chamados pelo nome que merecem os que querem este destino para nossas mães intelectuais.
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OITO HOMENS TÊM A MESMA RIQUEZA QUE OS 3,6 BILHÕES MAIS POBRES DO MUNDO


Um novo relatório da organização não governamental Oxfam, divulgado nesta segunda (16), 
revela que o fosso material entre o 1% e os 99% da humanidade, respectivamente, o topo e a 
base da pirâmide da riqueza mundial, torna-se cada vez maior, com consequências nefastas 
para a sociedade; documento também capta uma tendência preocupante: o abismo entre ricos 
pobres está aumentando em uma velocidade muito maior do que a prevista; baseado no 
Credit Suisse Wealth Report 2016 e na lista de milionários da Forbes, o relatório alerta que 
apenas oito homens concentram a mesma riqueza do que as 3,6 bilhões de pessoas que fazem 
parte da metade mais pobre da humanidade.

As informações são de reportagem da revista Carta Capital

"Os oito primeiros colocados na lista da Forbes são o criador da Microsoft, Bill Gates (75 bilhões de 
dólares), Amancio Ortega (67 bilhões), da grife espanhola Zara; Warren Buffet (60,8 bilhões), da 
Berkshire Hathaway, Carlos Slim (50 bilhões), das telecomunicações e Jeff Bezos (45,2 bilhões), da 
Amazon. Figuram ainda o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg (44, 6 bilhões), Larry Ellison 
(43,6 bilhões), da Oracle, e, por fim, Michael Bloomberg (Bloomberg LP), com 40 bilhões.
Tal riqueza é, na maioria dos casos, hereditária. Nas próximas duas décadas, 500 indivíduos passarão 
mais de 2,1 trilhões de dólares para seus herdeiros, uma soma maior do que o PIB de um país como a 
Índia, que tem 1,2 bilhão de habitantes.
Intitulado Uma economia humana para os 99%, o relatório analisa de que maneira grandes empresas 
e os "super-ricos" trabalham para acirrar o fosso da desigualdade.
A renda de altos executivos, frequentemente engordada pelas ações de suas empresas, tem 
aumentado vertiginosamente, ao passo que os salários de trabalhadores comuns e a receita de 
fornecedores têm, na melhor das hipóteses, mantido-se inalterado e, na pior, diminuído.
O estudo aponta que, atualmente, o diretor executivo da maior empresa de informática da Índia 
ganha 416 vezes mais que um funcionário médio da mesma empresa.
Além disso, os altos lucros das empresas são maximizados pela estratégia de pagar o mínimo 
possível em impostos, utilizando para este fim paraísos fiscais ou promovendo a concorrência entre 
países na oferta de incentivos e tributos mais baixos."
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SERRA LANÇA CANDIDATURA DE VOVÓ ADAMAS


Melhor seria se fosse o PSDB ..... Esse Bessinha... Os tucanos ainda vão degolar o Bessinha. É 
que ele leu o post em que o historialista Gaspari lança a candidatura da Ministra Cármen 
Lúcia, o que pode ser, apenas, um dos venenos que, de madrugada, ele trocou com o Padim 
Pade Cerra, também imortalizado na charge... - PHA 

O historialista produziu colona para fazer uma descoberta trepidante: há um vazio político.
Como se o Lula já estivesse encarcerado em Curitiba.
Diante do suposto vazio, Gaspari destrata a Ministra Cármen e, ao mesmo tempo, sugere sua eleição
indireta já e direta - se houver - em 2018.
Ele é deselegante com Carmen Lúcia porque ele não pode revelar seu candidato in pectore: o Careca
o Padim Pade Cerra.
Como se sabe, os dois não dormem e trocam receita de veneno de madrugada.
Não é, Cerra?
Ah, então não pode ser o Mineirinho, rival de morte do Cerra.
É absolutamente legítimo que Carmen Lucia seja eleita indiretamente em 2017, para tirar a quadrilha 
que se instalou num Palácio e pretende desconstruir outro.
Melhor seria que o PSDB de Gaspari/Cerra, legitimamente, no Congresso, propusesse o nome dela.
E nos livrasse de um Jovair qualquer.
O que não tem cabimento é Cármen Lucia ser manipulada pelo PSDB e seus artilheiros no PiG:
Havia um vazio em Brasília e ele foi ocupado pela ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo 
Tribunal Federal. Pudera, está no Planalto o vice de uma governante deposta, cujo futuro depende de 
um julgamento do TSE. Do outro lado da praça, há um Senado presidido por Renan Calheiros e uma 
Câmara até há bem pouco tempo comandada por Eduardo Cunha.
Na teoria, a posição da ministra deriva de um rodízio gregoriano. Na prática, a mineira miúda e 
frugal sentou-se na cadeira com disposição para iniciativas audaciosas, cenografias batidas (depois 
do massacre do Compaj foi a Manaus e criou um grupo de trabalho), retórica bíblica ("Quem tem 
fome de justiça tem pressa") e atitudes angelicais (no Dia da Criança recebeu um grupo de meninos e 
meninas carentes).
(...)

ARAGÂO TIRA A SAIA DE JANETE E SE ASSUSTA COMO QUE VIU ! A CARICATURA DE UM GOLPISTA


Aragão desmascara golpismo sem-vergonha de Janete

Luiz Maklouf Carvalho
“Arengão, bota a língua no palato”, dizia o e-mail do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para o subprocurador-geral e ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão. Ou “Arengão”, apelido com que Janot o carimbou, só entre eles, nos bons tempos em que a amizade prevaleceu. Por maio de 2016, quando o e-mail chegou, já iam às turras.
Recém-saído do Ministério da Justiça, nem completados dois meses de mandato – 14 de março a 12 de maio, no governo da presidente Dilma Rousseff –, Eugênio José Guilherme de Aragão, de 57 anos, estava de volta à Procuradoria-Geral da República, onde entrou em 1987. E tratava, com Rodrigo, que é como chama Janot, da função que passaria a ocupar.
Entre e-mails e “zaps”, o procurador-geral perguntou se o ex-ministro gostaria de assumir a 6.ª Câmara do Ministério Público Federal (MPF) – a que trata de populações indígenas e comunidades tradicionais. “Não gostaria”, respondeu Aragão. “Teria de lidar com o novo ministro da Justiça (Alexandre de Moraes, de Michel Temer), com quem eu não tenho uma relação de confiança”, explicou. “E o Supremo (Tribunal Federal)?”, contrapôs Janot. “O Supremo a gente conversa”, respondeu Aragão. “Então, tá, Arengão, bota a língua no palato”, escreveu o procurador-geral. “Rodrigo, quer saber, nós somos pessoas muito diferentes, e eu não dou a mínima para cargos”, respondeu Aragão, sem mais retorno.
“Que diabos quer dizer ‘bota a língua no palato’?”, perguntou-se Aragão durante a entrevista ao Estado, gravada com seu consentimento, em uma cafeteria da Asa Sul do Plano Piloto, em Brasília.
Foi uma dúvida que surgiu ao ler a metáfora sobre o céu da boca. “Significa um palavrão?”, perguntou-se, experimentando dois ou três. Conformou-se com a ordinária explicação de que Rodrigo o mandara calar a boca e/ou parar de arengar. Era um sábado, 21 de maio. Na segunda, 23, um impalatável Aragão foi ao gabinete de Janot.

“Ele me deu quarenta minutos de chá de cadeira”, contou, no segundo suco de melancia. Chegou, então, o subprocurador da República Eduardo Pelella, do círculo de estrita confiança de Janot (mais ontem do que hoje). “O Rodrigo é o Pink, o Pelella é que é o Cérebro”, disse Aragão, brincando com o seriado famoso.
Pelella, que não quis dar entrevista, levou-o, “gentil, mas monossilábico”, à sala contígua ao gabinete, e foi ter com Janot. Quando sentiu que outro chá de cadeira seria servido, Aragão resolveu entrar. “Os dois levaram um susto”, contou. Pelella pediu que o colega sentasse, e se retirou.
Começou, então, conforme diálogo relatado por Aragão ao Estado, a tensa e última conversa de uma longa amizade:
Janot: Você me deu um soco na boca do estômago com aquela mensagem (“não estou interessado em cargos”).
Aragão: É aquilo mesmo que está escrito lá.
Janot: Então considere-se desconvidado.
Aragão: Ótimo. Eu não quero convite (para função), tudo bem, não tem problema. Olha, Rodrigo, nós somos diferentes. É isso mesmo. Para mim, você foi uma decepção...
Janot: O que você está querendo dizer? Vai me chamar de traíra?
Aragão: Não, traíra não. Não chega a tanto. Desleal, mas traíra não. (No caso Operação da Lava Jato) você foi extremamente seletivo...
Janot: Você vem aqui no meu gabinete para me dizer que eu estou sendo seletivo?
Aragão: É isso mesmo.
Janot: Você vai para a p... que o pariu... Você acha que esse (ex-presidente) Lula é um santo? Ele é bandido, igual a todos os outros...
Aragão: Você foi muito mesquinho em relação ao Lula, só porque ele disse que você foi ingrato (em razão da indicação para a função)... Não tinha nem de levar isso em consideração.
Janot: Isso é o que você acha. Eu sou diferente. O Lula é bandido, como todos os outros. E você vai à m...
Aragão: E os vazamentos das delações? Eu tive informações, quando ministro da Justiça, pelo Setor de Inteligência da Polícia Federal, que saíram aqui da PGR...
Janot: Daqui não vazou nada. E eu não te devo satisfação, você não é corregedor.
Aragão: É, você não me deve satisfação, mas posso pensar de você o que eu quiser.
Janot: Você vá à m..., você não é meu corregedor.
Aragão: Eu não vim aqui para conversar nesse nível. Só vim aqui para te avisar que estou de volta.
Nunca mais se falaram. O Estado quis ouvir Janot a respeito das declarações de Aragão. A assessoria de imprensa da PGR assim respondeu ao pedido: “O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, está em período de recesso e não vai comentar as considerações do subprocurador-geral da República Eugênio Aragão”.
Sem função. Desde então, sem ter sido designado para nenhuma função em especial, Aragão continua trabalhando normalmente como subprocurador-geral da República, no mesmo prédio em que despacha Janot.
Os dois foram amigos por muitos anos, relação que incluía as respectivas famílias. Não poucas vezes Aragão degustou a boa comida italiana que Rodrigo aprendeu a fazer. Compartilhavam a bebida, também, embora com menor sede.
A divergência começou, sempre na versão de Aragão, nos idos do mensalão, mais precisamente quando Janot, já procurador-geral – “com a minha decisiva ajuda”, diz Aragão – pediu a prisão de José Genoino (e de outros líderes petistas), em novembro de 2013, acatada pelo ministro Joaquim Barbosa, do Supremo. “O Rodrigo já tinha dito ao Genoino, na minha frente, e na casa dele, várias vezes, que ele não era culpado”, contou o ex-ministro da Justiça.
Como ministro do governo petista, Aragão aumentou o volume das críticas aos excessos da Lava Jato e aos frequentes vazamentos de delações premiadas ainda sob sigilo. Chegou a ser considerado, pelo procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, o maior inimigo da operação.
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O que você deve esperar de um homem a quem você manda calar a boca?
Tudo — exceto que cale a boca.
É o que se viu, mais uma vez, no episódio que opôs Rodrigo Janot e Eugênio Aragão.
A rigor, Janot não mandou Aragão calar a boca. Disse, num email, que colocasse a língua no palato.
Que diabo é isso? — se perguntou Aragão, segundo o relato de Maklouf.
Língua no palato?
Bem, que podia ser senão um calaboca? Tente falar com a língua no palato.
Eram velhos amigos. Poucas coisas são mais melancólicas que a ruptura de antigas amizades.
Mas esta teve um lado cômico, também. Aragão foi ao escritório de Janot pedir satisfação, ou coisa parecida.
“Você veio aqui me chamar de traíra?” — perguntou Janot, depois de submeter o ex-camarada a uma espera de quarenta minutos.
De traíra não, devolveu Aragão. “De desleal.” Se alguém souber a diferença entre entre ser traíra e ser desleal favor me avisar, por favor.
Aragão, conta Maklouf, soubera que vazamentos da Lava Jato tinham partido da PGR de Janot.
A conversa se incendiou quando o nome de Lula veio à baila. Janot, sempre de acordo com o artigo de Maklouf, disse que Lula é um “bandido como todos os outros”.
Ficou claro, aí, que Janot jamais perdoou Lula por tê-lo classificado como “ingrato” na conversa com Dilma gravada e vazada por Moro, numa das últimas etapas do golpe.
Ao levar a história a um jornalista do Estadão, Aragão mostrou o quanto está indignado com o comportamento de Janot.
Você tem que estar com muita raiva de alguém para fazer o que Aragão fez. Ele não tomou nenhum cuidado para que o leitor não soubesse qual era a fonte da bomba.
Ele queria que as pessoas soubessem que a fonte era ele. Melhor: ele queria que Janot soubesse que o vazamento partira dele.
Vazamento se paga com vazamento: eis um exemplo acabado de vendetta.
O objetivo de Aragão foi plenamente alcançado. O homem que aparece na reportagem é um desequilibrado, um desvairado, inconsequente o bastante para não apenas chamar Lula de bandido — mas para mandar Aragão para a puta que o pariu.
Compostura e equilíbrio é o mínimo que se espera de um procurador geral da República. Janot demonstrou despreparo mental para o cargo que exerce, ainda mais num momento tão dramático.
Fora tudo isso, cometeu o pecado de julgar e condenar Lula antes que a Justiça oficialmente se manifeste. Neste caso, faria bem em manter a língua no palato.

sábado, 14 de janeiro de 2017

BATEDOR DE DIZIMO E GOLPISTA, PASTOR EVERALDO TAMBÉM PEDIA DINHEIRO A CUNHA


Numa das mensagens do celular de Eduardo Cunha, o Pastor Everaldo, que concorreu à 
presidência da República pelo PSC, pede dinheiro ao parlamentar e se diz "desesperado"; em 
outra, Geddel Vieira Lima diz ter resolvido o problema do político; mensagens indicam que 
Cunha e Geddel arrecadavam recursos para manter influência sobre o parlamento, bancando 
deputados, e assim podem ter comprado apoio ao impeachment; reveja vídeo em que o Pastor 
Everaldo declara apoio ao golpe parlamentar de 2016

247 – A Operação Cui Bono, deflagrada ontem pela Polícia Federal, pode ajudar a desvendar como 
foi financiado o golpe parlamentar de 2016.
Numa das mensagens do celular de Eduardo Cunha, o presidente nacional do PSC, Pastor Everaldo, 
pede dinheiro a ele, se dizendo "desesperado".
Em outra, Geddel Vieira Lima afirma a Cunha ter resolvido o problema de Everaldo, que concorreu à 
presidência da República, em 2014.
Os pagamentos teriam sido feitos por meio de uma empresa chamada Dinâmica Segurança 
Patrimonial, que teria Everaldo como um dos sócios.
As mensagens indicam que Cunha e Geddel montaram um sistema de propinas na Caixa Econômica 
Federal, em que a liberação de empréstimos era condicionada ao pagamento de vantagens financeiras.
Elas também indicam que os dois arrecadavam recursos para manter influência sobre o parlamento, 
bancando deputados. Foi à base do poder econômico que Cunha se tornou presidente da Câmara e, 
da mesma maneira, pode ter influenciado os votos dos deputados que aderiram ao golpe.
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BRINCADEIRAS DO JUDICIARIO: DEPOIS DE 19 ANOS JUSTIÇA BLOQUEIA BEN DO TUCANO AZEREDO



A Justiça de Minas Gerais determinou o bloqueio de bens do ex-governador do estado Eduardo Azeredo (PSDB) em uma ação por improbidade administrativa relacionada ao mensalão tucano. A decisão do desembargador Jair Varão, da 3ª Câmara Cível, não especifica o valor a ser bloqueado. O ex-governador ainda pode entrar com recurso contra a decisão.
O Ministério Público (MP) sustenta ter havido ato de improbidade administrativa por meio da transferência de cerca de R$ 3 milhões das estatais Copasa e Comig para as empresas SMP&B Publicidade e SMP&B Comunicação, de Marcos Valério, durante o Enduro da Independência. Segundo o MP, não houve realização de licitação nem formalização de contrato administrativo.
A Ação Civil Pública foi ajuizada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), em 2003, no Supremo Tribunal Federal (STF). Após a a renúncia de Azeredo ao cargo de deputado federal e a de Clésio Andrade do cargo de senador, a ação foi enviada à Justiça mineira.
Em agosto, o juiz da 5ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias, Adriano de Mesquita Carneiro, não aceitou o pedido de bloqueio de bens do ex-governador com o argumento de que faltava justa causa para prosseguimento a ação. Na mesma decisão, o magistrado determinou o bloqueio de bens do ex-senador Clésio Andrade (PMDB), de Marcos Valério e de outras cinco pessoas em um valor de até cerca de R$ 25,7 milhões.
Em dezembro, Azeredo foi condenado a 20 anos e dez meses de reclusão por participação no esquema de desvio do governo estadual para campanhas políticas em 1998, que ficou conhecido como mensalão tucano. O político foi considerado culpado pelos crimes de peculato (desvio de bens contra a administração pública por servidor público) e lavagem de dinheiro. O esquema foi revelado pelo GLOBO em julho de 2005.
Azeredo é o réu mais famoso entre os acusados em processos vinculados à operação financeira de Marcos Valério para o PSDB de Minas Gerais, e o primeiro político a ser condenado no caso. Os recursos foram desviados por meio de contratos de patrocínio forjados com estatais mineiras — como a Copasa e a antiga Comig, atual Codemig — para desviar R$ 3,5 milhões (R$ 9,3 milhões, em valores atualizados) para a campanha de 1998, por meio das agências de publicidade de Valério. Na época, Azeredo disputou — e perdeu — a reeleição ao governo. 
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NO PARÁ PETISTA DEIXAM O PARTIDO COM CRITICAS Á DIREÇÂO


O único vereador petista e o presidente municipal do partido, deixaram o PT com fortes críticas à direção.

Cley Alves era o único vereador que o PT mantinha até o final de 2016, na Câmara Municipal 
de Ananindeua, onde Beto Ribeiro era até semana passada, o presidente do partido. Ambos 
pediram desfiliação da legenda alegando contradições e problemas na direção partidária.

Por Diógenes Brandão
Ananindeua é o segundo maior e mais populoso município paraense, e, por consequência, o segundo maior colégio eleitoral do Pará. Com décadas de alternância de governos eleitos pelo PSDB e o PMDB, a cidade apresenta um dos piores índices de criminalidade e falta de saneamento, além de amargar altas taxas de desemprego e baixa expectativa de vida para os jovens, que morrem de forma avassaladora pela violência urbana.
Tal cenário não colabora para a afirmação e o empoderamento dos partidos de esquerda, que historicamente cresceram e tornaram-se fortes nestas cidades, onde a pobreza e o descaso dos governos de direita, que se revezam no poder, arrastam milhões de brasileiros para uma vida sem oportunidades e direitos sociais, como os prometidos nas campanhas eleitorais.
Declínio e desfiliação
Eleito vereador com 887 votos em 2012, nas eleições de 2016 Cley Alves obteve 886 votos, ou seja, um (01) a menos do que há quatro (04) anos atrás, mas não conseguiu manter-se como o único representante petista na Câmara de Vereadores de Ananindeua, devido o partido não alcançar o coeficiente eleitoral.
Uma fonte do blog revelou que o ex-vereador alega que sua saída do partido no qual militou por 17 anos, "se dá pelo forte desgaste de sua identidade ideológica e pela renúncia deste na defesa de bandeiras no passado defendidas aguerridamente por sua militância, pois as mesmas foram retiras da linha programática de lutas pela cúpula partidária", que segundo Cley, hoje é vista de forma negativa pela sociedade. O ex-vereador também disse "que o PT sofre de uma decadência imensurável, tendo como prova o último resultado eleitoral".
Ainda segundo a fonte petista, o mesmo raciocínio moveu o presidente municipal a entregar o cargo e desfiliar-se do PT. Para Beto Ribeiro, "sair do PT depois de 22 anos como filiado não está sendo fácil, mas é necessário", pois assim como o ex-vereador, ele também é jovem e desejar continuar na vida política e participando de processos eleitorais.
O blog procurou informações se ambos já possuem um partido em mente para se filiarem, mas não conseguiu contato com os ex-petistas e nem respostas precisas com outras fontes, mas há uma possibilidade muito forte deles dois ingressarem no PDT. 
O partido deve vir com Ciro Gomes, como candidato a presidente do Brasil em 2018 e hoje no Pará tem três deputados estaduais (Antônio Tonheiro, Junior Hage e Miro Sanova) e em Ananindeua três (03) vereadores (Diego Alves, Neto Vicente e Robson Barbosa), tendo como presidente estadual, o ex-deputado federal Giovanni Queiroz.
Dados do TRE confirmam o declínio petista no Pará
Nas eleições municipais de 2016 no Pará, o PT lançou candidatos a prefeitos em 35 municípios paraenses e elegeu tão somente 07 prefeitos.
Comparando com a eleição anterior, onde o partido elegeu 23 prefeitos, foram 16 prefeituras perdidas de uma eleição para outra. Isso sem contar que nenhum prefeito em 2012, conseguiu a reeleição em 2016.
Ao contrário de seu aliado favorito, o PMDB - que ganhou 27 municípios nas eleições de 2012, e em 2016 elegeu 42 prefeitos - comandado pelo ministro Helder Barbalho e o senador Jader Barbalho tornou-se o partido paraense que mais cresceu, enquanto que o PT foi o que mais diminuiu.
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O MIMIMI DO "MINISTRO DA JUSTIÇA(SIC)"


Ex Ministro Aragão ridiculiza o Careca da Justiça

O mimimi do "ministro da justiça": por que xingar não é melhor que argumentar ou calar

Esconder um erro com uma mentira é o mesmo
que substir uma mancha por um buraco (Aristóteles)

Meu sucessor, que a convenção - uma mera convenção, nada mais - manda chamar "ministro da justiça", costuma ser homem de muita lábia - que, no seu caso, não é sábia. Afinal, sua retórica até hoje não foi nada convincente. Inúmeras são suas iniciativas que ultrapassam o limite da prudência e do bom-senso, quando não beiram o mais tosco populismo. Vãs e voláteis são suas palavras, "dust in the wind". Uma vez ditas, não resolvem o problema, mas geram uma pletora de novos problemas, constrangendo seu autor à exposição continuada e à defesa do indefensável.
Ao mesmo tempo, o Sr. Alexandre de Moraes (esse é seu nome, para quem compreensivelmente não consegue vinculá-lo ao cargo) é pessoa de posições duras. Não foge do uso da força bruta contra democratas que desafiam a autoridade de seu grupo. Tout court: as palavras são ocas, mas o cassetete é maciço e de uso frequente.
Isso é muito comum em indivíduos adestrados ("educados" aqui talvez não caiba) com violência física. Crianças que apanham dos pais costumam ser violentas com amiguinhos e até com estranhos. A surra é uma linguagem primitiva: na falta de argumentos convincentes, parte-se para a "porrada", o argumento baculino. Eis a mensagem que muitos pais passam aos filhos, que seguem e transmitem-na como um atavismo pela vida afora.
Ontem fui surpreendido por uma dessas mensagens. O Sr. Moraes, que em menino deve ter levado muita palmada no bumbum, andou espalhando que me processaria para eu "aprender a calar a boca" (secundado, claro, por certo sítio de pornografia política, que na esteira do livro de Diogo Mainardi, um dos seus criadores, mais mereceria o nome de "A Anta onanista").
Inicialmente pensei em lhe escrever mais uma dessas cartas abertas. Depois pensei: para quê jogar pérolas aos... ops, a quem não as merece? Cartas escrevemos aos que possam ter profundas divergências conosco, mas que animam o discurso horizontal direto. Ao Dr. Janot e ao colega Dallagnol, por exemplo. Embora discorde do seu modo de agir, busco publicamente o diálogo, sem deixar de me colocar como vitrine, possível alvo de alguma iniciativa mineral, mas que possa abrir um debate transparente. Nele, a regra é: vença quem convença! Os destinatários são pessoas, cada uma com sua visão institucional. Posso sugerir que baixem a bola, que ajam mais discretamente para fazer o que tenham de fazer. Mas essas pessoas fazem. Gostemos delas ou não, elas são atores centrais do momento político - e merecem, mesmo na saudável divergência, nossa reverência. Cartas são, portanto, uma manifestação de deferência.
Com o Sr. Moraes é diferente. Ele até agora não fez e só é ator se o tal "ministério" que presume dirigir for confundido com um picadeiro. Dizem os repórteres investigativos que é campeão em usar voos da FAB para ir a São Paulo, sua casa; que gosta de despachar mais lá do que cá. Visitou em Curitiba um juiz federal à frente de um complexo de investigações que atinge em cheio vários cúmplices do "governo" por ele integrado. Fez salamaleques ao magistrado, não condizentes com a divisão dos poderes, prevista na Constituição Federal, nem com a estatura que o cargo de ministro de Estado lhe exigiria, pressuposta a seriedade e legitimidade da investidura. As conversas nessa visita não foram públicas. Ensejaram ilações sobre conteúdos nada republicanos.
Depois, em São Paulo, reuniu-se com policiais federais que atuam em operações do mesmo complexo investigativo de Curitiba, também sem qualquer esclarecimento convincente sobre o convescote. A seguir, foi fazer campanha para o candidato de seu partido a prefeito em Ribeirão Preto, terra do ex-ministro Palocci, onde, em diálogo com militantes locais do MBL, anunciou, para a semana em curso, impactante operação. O Sr. Moraes, que se recusa a fazer media training por se achar muito sagaz no trato com os meios de comunicação, chegou a gabar-se: "Teve [operação] [n]a semana passada e esta semana vai ter mais, podem ficar tranquilos. Quando vocês virem esta semana, vão se lembrar de mim”. Não deu outra: naquela semana realizou-se a operação policial lá mesmo, a culminar na prisão de Palocci, adversário político do prefeito apoiado pelo "ministro". Foi um desastre comunicativo, para dizer o mínimo.
Claro, como sugeriria o ministro Gilmar Mendes, mera coincidência! Não teria sido nada mais do que uma previsão do tempo! Haja cinismo! Em verdade, é mais do que legítimo vislumbrar-se no episódio uma politiqueira violação de sigilo funcional para fins de promoção pessoal. E as desculpas que se sucederam não foram nada convincentes.
Hilário foi filmete viralizado na rede, em que o Sr. Moraes, que não deve ser muito afeito a facões (também não sou, mas não poso com elas), capina pés de maconha na fronteira do Paraguai. Lá se vê, sob um sol escaldante, o burocrático lavrador, calvície à mostra, um típico egghead, como diriam os ingleses, cheio de determinação para acabar com a nociva diamba! (Deveria usar um chapéu de palha, para se proteger). Num momento em que o país vive profunda crise de credibilidade das instituições e das autoridades, em que prevalece perplexidade sobre a falta de agenda positiva do que a convenção antes mencionada denomina "governo Temer", o Sr. Moraes brinda a sociedade com populismo barato e investe com desajeitado denodo contra o cultivo da maconha, cujo consumo está prestes a ser liberado por maioria significativa dos ministros do STF. Como diriam os jovens: "sem noção"!
Mas as estripulias não param por aí. O Sr. Moraes tem sido intensamente criticado na mídia por promover uma gestão de ação violenta da polícia e pelo tipo de advocacia a que se dedicou nos intervalos de sua vida pública. Do insuspeito Jornal Extra, do grupo Globo, extrai-se:
"Eduardo Cunha, PCC (Primeiro Comando da Capital) e ocupação estudantil: o que estas três esferas têm em comum? A resposta está em Alexandre de Moraes, escolhido por Michel Temer para ser o novo ministro da Justiça. À sua pasta serão incorporadas as secretarias da Mulher, Igualdade Racial e Direitos Humanos. Sendo assim, Alexandre comandará o Ministério da Justiça e Cidadania.
Em dezembro de 2014, ele assumiu a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, prometendo o fortalecimento da legislação estadual no setor. No entanto, sua passagem como secretário foi colocada em xeque diversas vezes por conta da violência supostamente excessiva diante de protestos e atos políticos, como, por exemplo, as ocupações estudantis das escolas estaduais, que vêm ocorrendo desde o ano passado.
Em janeiro deste ano, um protesto realizado pelo MPL (Movimento Passe Livre) contra aumento de tarifas foi reprimido de forma ostensiva, o que reservou ao papel de Alexandre uma repercussão negativa diante da opinião pública. Sob sua gestão na secretaria foram utilizados, pela primeira vez, blindados israelenses para enfrentar manifestações. De acordo com dados levantados pela TV Globo, a Polícia Militar foi responsável pela morte de uma em cada quatro pessoas assassinadas no estado paulista em 2015.
Ainda em 2015, reportagem do “Estado de S. Paulo” afirmou que Alexandre constava no Tribunal de Justiça de São Paulo como advogado em pelo menos 123 processos da área civil da Transcooper. A cooperativa é uma das cinco empresas e associações que está presente em uma investigação que trilha movimentações de lavagem de dinheiro e corrupção engendrado pela organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). À época, Alexandre disse, por meio de nota, que “renunciou a todos os processos que atuava como um dos sócios do escritório de advocacia” e que estava de licença da OAB durante o período investigado.
No fim de 2014, pouco antes de assumir a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, o novo ministro da Justiça pouco defendeu Eduardo Cunha, presidente afastado da Câmara dos Deputados, em uma ação sobre uso de documento falso em que conseguiu a absolvição do peemedebista.”
Com efeito, na condição de Secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo tornou-se notório defensor do uso desproporcional da força pela polícia que dirigia. Foi nesse período que se deu a violentíssima repressão às manifestações do movimento pelo passe livre. Numa delas, perdeu a vista, atingido no olho por bala de borracha, o midiatista Victor Araújo, que estava, em 7 de setembro de 2013, filmando a repressão policial a movimento de rua em São Paulo. Não se ouviu nenhuma palavra de satisfação ou desculpa. Pelo contrário, a violência excessiva era estimulada pela Secretaria de Segurança Pública dirigida pelo Sr. Moraes. E foram os excessos em São Paulo que espalharam os protestos Brasil afora naquele ano. Mas o autor de "Direitos Humanos Fundamentais" (1ª ed. 1997, 11ª ed. 2016) não se incomodou. Sabe que a teoria na prática é outra. Continuou na linha de ação prepotente de desrespeito aos mais comezinhos direitos fundamentais, ao direito de manifestação e ao direito à integridade física e moral. E viu-se apoiado pela população, quando até a imprensa conservadora tecia ácidas críticas à sua administração. Da igualmente insuspeita Folha de São Paulo de 13 de janeiro do ano passado colhe-se o seguinte:
"O MPL (Movimento Passe Livre) criticou nesta quarta-feira (13) a ação policial que reprimiu o protesto contra o aumento da tarifa nos transportes da capital realizado nesta terça.
Em nota publicada nas redes sociais, o movimento afirmou: "A violência da polícia, que deixou mais de dez presos e dezenas de feridos, mostra a verdadeira política de Alckmin e Haddad: defender o lucro dos empresários a qualquer custo."
"Da mesma forma, defenderemos nosso direito à cidade e à manifestação. Se a polícia aumenta a repressão, aumentamos a resistência", afirmou o grupo.
O segundo ato expressivo contra a alta das tarifas de transporte foi marcado pela nova estratégia da polícia, que reprimiu a passeata com mais intensidade antes mesmo dela começar e de haver confronto com "black blocs".
O secretário de Segurança de São Paulo, Alexandre de Moraes, disse nesta quarta ter recebido "só elogios à atuação da polícia" para conter o protesto. Ele disse ainda que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) achou "ótima a alteração da estratégia" para conter os manifestantes.
O secretário afirmou que a polícia continuará a tipificar as prisões de manifestantes como dano ao patrimônio público, como agressões e, em se tratando de "black blocs", o "manifestante será tipificado como organização criminosa". Segundo Moraes, desde 2013 a polícia dispõe de imagens, de dados da internet das manifestações que vão ajudar a "constituir em uma organização criminosa que quer o vandalismo, que quer depredar e atacar a polícia".
A polícia decidiu bloquear a avenida Paulista e revistar manifestantes antes do começo do protesto e impedir que eles avançassem pela avenida Rebouças. Após empurra-empurra, lançou bombas de gás, o que acabou dividindo os grupos por diferentes ruas e provocando correria. Questionado sobre críticas a seu trabalho, Moraes afirmou: "Até agora, por parte da população, só elogios à atuação da polícia"."
Para quem é apoiado por sítio de pornografia política, dá para imaginar quem são esses indivíduos que lhe fizeram os tais "elogios à atuação da polícia"!
Não só a autocrítica não parece ser o forte de nosso Narciso, ora ministro. Tem-se em alta conta. A última bolacha do pacote. E muito mais haveria de contar a respeito, para mostrar cabalmente sua falta de vocação para o serviço público, sua pequenez diante das exigências das funções que lhe foram temerariamente cometidas. Se quisesse estender o assunto, bastaria cavar no Google.
Ao que tudo indica, administrar o dia- a-dia da pasta não é com ele. Em agosto suspendeu todas as ações do ministério por noventa dias e em dezembro prorrogou a suspensão por mais noventa dias, até março de 2017. Refugiados? - Tanto faz. Consumidor? - Sossega o facho! Cooperação jurídica internacional? - Deixa isso com o MPF! Entorpecentes? - Vamos capinar maconha! Estrangeiros?  como é que é? Anistiados? - Deixemos esse assunto morrer! Polícia federal? - Opa, vamos conversar! Arquivo nacional? - O que? Você queria dizer “salas-cofre”? Sistema penitenciário…? Ah, o sistema penitenciário!
O derradeiro episódio protagonizado pelo Sr. Moraes parece ser a gota d'água. Nele, o "ministro" deu com os burros n'água.
É sempre bom lembrar que crises penitenciárias no Brasil escravocrata são recorrentes. Essa não é culpa do Sr. Moraes. É culpa de nossa mentalidade retrógrada, que vê no preso o lixo da sociedade, a merda a ser decantada num reservatório de estação de tratamento de esgoto. Somos incapazes de ver no outro mais fraco, por mais que erre, nosso par e concidadão. Constituímos uma sociedade cada vez mais despida de empatia.
Direitos humanos? Não para bandidos! Só para nós. O Brasil torna-se um país em que o filho pródigo não é acolhido pelo pai. É depositado por seus pais e irmãos desnaturados nas masmorras ou entregue aos esquadrões da morte. Não temos compaixão nem pela família do errante! O errante paga contribuição social que garante a seus entes queridos pensão em caso de morte e em caso de incapacitação para o trabalho, aí incluída a hipótese da sua prisão. Mas nossos escribas e fariseus querem que a família morra de fome, ignorando preceito constitucional que veda ultrapasse a pena a pessoa do inculpado. Esquecem-se que o pagamento da pensão não é favor, mas obrigação pactuada ex lege.
Claro que numa sociedade há séculos governada, quase sempre, pelos escribas e fariseus o massacre do lixo humano não tem nada de mais. "Não tem nenhum santo" entre os massacrados, disse o governador do Amazonas sobre os concidadãos trucidados na sua penitenciária.
Os governos dos últimos 13 anos antes do golpe de 2016 fizeram uma diferença, sim. Mas nunca conseguiram aplacar a ira dos fariseus e escribas, que promoveram, contra seus agentes, perseguição implacável, seja pela mídia, seja pela justiça, seja pelo estamento político. Não se conformaram com a subida dos que consideravam "pecadores" ao poder. Fariseus e escribas sempre viveram no self-understanding de que pecar é algo que só se faz ao abrigo de suas leis. E estas são as leis da hipocrisia, do disfarce, do engodo e, quando necessária para garantir seu status quo, da violência também.
Foram os governos dos últimos 13 anos que nos trouxeram a política mais inclusiva desde o "descobrimento" do Brasil, cheia de falhas e, muitas vezes, sob severas limitações de sua impotência. Mas esses governos construíram cinco penitenciárias federais para abrigar líderes de facções sob regime de segurança diferenciado. Repassaram rios de dinheiro aos estados para o aumento de vagas no sistema. Passamos a ter nacionalmente um índice relativamente baixo de 1,67 de superpopulação carcerária, o que significa que a cada vaga correspondem 1,67 apenados. Esse índice nos coloca mundialmente em 38° lugar em superpopulação carcerária,  - distantes do ideal, mas igualmente distantes da posição de lanterninha.
O que o Sr. Moraes não se deu ao trabalho de estudar é que o problema central do sistema nem é tanto de vagas, mas de excesso de demora em investigações e instrução criminal que faz com que 40% dos nossos presos não tenham ainda condenação transitada em julgado. Em muitos rincões do país a prisão pré-processual é regra e não exceção, sobretudo quando se lida com os mais fracos e desassistidos. Para eles, a presunção de inocência não vale nada. A prisão preventiva passa a ser a forma de antecipação da pena numa justiça que não merece esse nome, porque tarda e falha por seletividade.
Ademais, temos um sério problema de gestão penitenciária. Desde sempre. A sociedade não gosta de investir no "lixo" social. Acha que é dinheiro jogado fora. Há autoridades que gostam de apontar para o truísmo de que um preso custa 13 vezes mais do que um aluno no ensino público. A comparação é demagógica. É como dizer que o Brasil não devesse estar no Haiti, porque lá gasta em ação humanitária mais do que na segurança pública de muita cidade grande conflagrada. É uma mania de ficar comparando hélice de navio com piano de cauda, âncora com berimbau ou trilho com picolé! São ações que têm entre si tanto em comum quanto os glúteos com as calças.
Em qualquer país do mundo, preso é mais caro que aluno, assim como uma âncora de petroleiro é mais cara que um berimbau de roda de capoeira. Se o sistema leva a sério sua missão, o apenado é um aluno em condições especialíssimas, num curso de re-viver. E gastamos pouco com eles, porque em Pindorama se convencionou que prisão é só um amontoado de tijolos, cimento e ferragens. Lá se soca gente até não caber mais. É como fazer a mala jogando infinitas roupas e utensílios nela e depois, para fechar, pular na tampa, deixando à mostra, nas bordas, partes de meias, cuecas e calcinhas.
Prisão, na contemporaneidade, é muito mais que uma masmorra. É, nas nações civilizadas, um conceito complexo. A pena não expia. Não se trata de retribuir o mal pelo mal. A retribuição, diria o penalista alemão de saudosa memória, Winfried Hassemer, é como dar um chute num móvel que nos causou dor quando nele esbarramos. O móvel continuará lá. Imóvel, se não inamovível. Por isso, punir só faz sentido olhando para o futuro. Fala-se, então, em funções preventiva geral e preventiva especial do direito penal. O escopo é buscar que o crime não se repita. Por isso, estatui-se um exemplo para a sociedade (o efeito dissuasório, em alemão Abschreckung), de eficiência do aparato persecutório, deixando clara a mensagem de que quem delinqüe paga. Já no campo individual, esforça-se o Estado por ensinar ao apenado a levar uma vida digna. Reabilita-o, cuida de suas feridas n'alma e procura dar-lhe uma nova chance. Estar privado de liberdade é a punição maior. Entrega, o apenado, parcela do seu tempo de vida ao Estado, como diria Foucault, para que seja bem aproveitado em favor da inclusão social. Estigmatizar não ajuda em nada esse processo, porque causa resistências à sua implementação.
Por isso os países mais adiantados nessa agenda garantem acomodações individuais a quem tem mais de um ano de pena a cumprir. Lá, o preso recebe roupa limpa, de cama e pessoal, e é estimulado ao asseio. Em muitas penitenciárias costuma-se entregar-lhe um cartão magnético que permite a circulação limitada no estabelecimento, de acordo com seu grau de progressão disciplinar. Ocorrendo um motim, todos os cartões são instantaneamente cancelados e o preso fica onde está, mapeado por sistema de rastreamento feito pelo cartão. Isso, é evidente, facilita táticas antimotim.
Mas, no nosso Brasil, estamos longe disso. Temos toda a tecnologia, mas achamos que gastar com ela não é prioridade. Não temos cursos de arquitetura penitenciária nem escola de gestão de estabelecimentos prisionais. Construímos prisões novas, de padrão velho. Algumas ficam baldias, pois os estados estão sem dinheiro para realizar concurso, contratação e treinamento de agentes penitenciários. Por isso sugeri a criação de uma Escola Nacional de Gestão Penitenciária e de um sistema único de distribuição de vagas, para equilibrar a lotação nos estabelecimentos. Infelizmente não foi possível levar a ideia adiante. O golpe não deixou.
Transferir recursos para construção de novas penitenciárias é uma solução simplória. Talvez o Sr. Moraes devesse ler o relatório do INFOPEN 2014, obra da dedicada equipe do Doutor Renato Vito, publicada na minha gestão. Tem dados que demonstram claramente o que foi dito aqui. Mas, quando se glorifica a violência e se recusa a compaixão com as brasileiras e os brasileiros que perderam seus entes queridos num massacre quando estavam sob a custódia do Estado, e quando se mente para fugir da responsabilidade, falar e mostrar o que pode resolver não basta. É preciso gritar para ser ouvido.
Por isso, Sr. Moraes, saiba que não me fará calar. Tenho responsabilidade para com nossa sociedade como derradeiro Ministro da Justiça de um governo legítimo, derrubado por um arrastão de trombadinhas que queriam reimpor a política ímpia dos escribas e dos fariseus. Na próxima comichão insopitável de me intimidar e cassar a palavra dita no livre direito de crítica e manifestação, pense três vezes. Responda com argumentos ou se recolha. A "porrada" aqui não cola, pois papai e mamãe, que nunca precisaram me dar palmadas no bumbum, me ensinaram que quem usa a inteligência usa a boca, e quem dela é desprovida usa o punho.