terça-feira, 25 de julho de 2017

CIRO RESUME O GOLPE: ASSISTA


0,4% para investir e 11% para os rentistas

Numa palestra para sindicalistas, Ciro Gomes fez uma síntese implacável desse "governo" de 
açougueiros do tal de neolibelismo: 0,4% de investimento - como demonstrou o Conversa Afiada - e 
11% do PIB para pagar as dez mil famílias de rentistas que vivem dos juros escorchantes que o 
Banco Central fixa.
Por isso, se diz que sem um calote nos rentistas 
será impossível governar.
Para que isso aconteça, será preciso enfrentar a 
furiosa resistência de patronos de rentistas
como o André Lara Resende e o Pérsio Arida, 
heróis da Casa Grande (e Branca).
Mas, como se sabe, a canoa vai virar.

PHA


Frangote nega ter violado lei em concurso para o Ministério Público

 
Jornal GGN - O procurador Deltan Dallagnol, usando a estrutura do Ministério Público Federal para rebater uma questão pessoal, nega que tenha infringindo uma lei ao tomar posse como procurador da República em 2003, um ano após ter passado em um concurso público no Paraná.
 
Nesta terça (25), o jornalista Reinaldo Azevedo revelou que Dallagnol prestou o concurso para o Ministério Público e foi aprovado, mas não poderia assumir o posto de procurador da República porque a Lei Complementar 75/93 exigia, à época, pelo menos 2 anos de formação como bacharel em Direito. Dallagnol só tinha 1 ano de formado quando tomou posse, em janeiro de 2003.
 
Em 2004, esse dispositivo foi alterado com a Emenda Constitucional 45 e o tempo de formação exigido para o cargo público passou a ser ainda maior: de 3 anos.
 
Segundo o jornalista, o pai de Dallagnol, "ex-procurador de Justiça do Paraná, atuando como seu advogado, obteve da Justiça Federal do Estado uma milagrosa liminar para que o jovem filhote, de 21 aninhos, pudesse prestar o concurso no mesmo ano em que colou grau: 2002."
 
Quando o Tribunal Regional Federal da 4ª Região foi avaliar a apelação da União no caso de Dallagnol, em 6 de fevereiro de 2004, o procurador já tinha 2 anos de formado e, por isso, a questão foi entendida como prejudicada.
 
É o que aponta a nota do MPF à imprensa, em defesa de Dallagnol, que também acrescenta que o hoje procurador foi aprovado para promotor do Paraná e juiz, numa tentativa de afastar a ideia de falta de mérito.
 
O informe ainda diz que as informações reveladas por Azevedo fazem parte de um "ataque à reputação" dos procuradores da Lava Jato.
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Prefeito de Tucuruí é baleado em atentado no Pará



O prefeito Jones William foi vítima 
de um atentado em Tucuruí (Foto: 
Divulgação / Prefeitura de Tucuruí)

Jones William vistoriava operação 
tapa buraco quando foi abordado 
por dois homens em uma moto, que 
atiraram contra ele.

O prefeito de Tucuruí, Jones William
(PMDB) sofreu um atentado na tarde
desta terça-feira (25). Segundo
testemunhas, ele estava na estrada que
liga a cidade ao aeroporto, vistoriando
uma operação tapa buraco, quando dois
homens em uma moto o abordaram e
atiraram várias vezes.
Ele era investigado pelo Ministério
Público Estadual, que havia pedido seu
afastamento por improbidade
administrativa. Segundo o MPE, Jones 
é suspeito de direcionar contratos e 
licitações para um empresário local.
O crime ocorreu por volta de 16h. De acordo com populares, o prefeito teria sido atingido duas vezes
na cabeça. Ele foi levado para o Hospital Regional, onde está sendo operado. O hospital ainda não
divulgou informações referentes ao estado de saúde do prefeito.
Uma equipe da Divisão de Homicídios da Polícia Civil foi deslocada de Belém para dar apoio nas
investigações do caso.
Outro caso
Em 16 de maio o prefeito Diego Kolling, da cidade de Breu Branco, que fica a 38 km de Tucuruí, foi 
assassinado enquanto pedalava uma bicicleta na companhia de amigos em um trecho da rodovia PA-
263, que liga Tucuruí a Goianésia do Pará.
De acordo com a assessoria da Polícia Civil, por volta de 7h30, a vítima, de 34 anos, teria recebido
um tiro no lado direito do peito e chegou a ser socorrido e encaminhado para a Unidade de Pronto
Atendimento (UPA) da cidade, mas não resistiu aos ferimentos.

VIDEO: MADURO DIZ O QUE FARIA SE TIVESSE GOLPE A LÁ BRASILEIRA POR LÁ



Depois do golpe e de ver o meu país colonizado novamente, com suas refinarias interrompidas pelo 
próprio governo, para obrigar o país a importar óleo díesel dos Estados Unidos...
Depois de constatar que nossas indústrias de engenharia foram destruídas por uma operação judicial 
articulada pelo Departamento de Justiça dos EUA, para que não possamos nos desenvolver...
Depois de ver nossos projetos estratégicos, como o satélite próprio e o submarino nuclear, 
paralisados...
Depois de ver o exército americano fazendo exercícios militares em nossa Amazônia...
Depois ver nosso procurador geral da república ir a Washington prestar contas do serviço feito no 
Brasil...
Depois de ver que o sistema de justiça brasileiro (ou pelo menos, sua parte hegemônica), em nome 
dos interesses do golpe, abandonou qualquer escrúpulo constitucional, moral, ou mesmo racional... 
tomando suas decisões com base exclusivamente em objetivos antipopulares...
Depois de ver tudo isso, hoje eu tenho certeza que o maior erro dos governos Lula e Dilma foi não 
ter criado um sistema de defesa nacional, ancorado sobretudo na criação de uma massa crítica, 
politizada, que não permitisse que nosso país fosse saqueado e violentado como está sendo agora.
Entretanto, nunca é tarde demais para uma revolução.
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MST ocupa terras de Temer, Blairo Maggi e Ricardo Teixeira


Integrantes do MST dentro de propriedade do ministro Blairo Maggi, em Mato Grosso

MST: Corruptos, devolvam nossas terras!

Ocupando as terras de Temer, Blairo Maggi e Ricardo Teixeira, Jornada de lutas exige 
Reforma Agrária e denuncia os corruptos ruralistas que sustentam o governo



Milhares de trabalhadores rurais ocupam, em todo país, fazendas ligadas a processos de corrupção ou a corruptos, onde exigem a destinação das terras para assentamento de famílias Sem Terra.
O MST também coloca a saída dos golpistas instalados no Planalto e a convocação de eleições diretas como condição para a retomada da Reforma Agrária.
Desde a manhã desta terça-feira (25), Dia do Trabalhador Rural, estão ocupadas as fazendas do ministro Blairo Maggi, no Mato Grosso, do presidente golpista Michel Temer (em nome de seu laranja Coronel Lima), em Duartina-SP, e do ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, em Piraí, Sul Fluminense.
Outras ocupações ocorrem no Sul e no Nordeste.
Os latifundiários que possuem estas áreas são acusados, no cumprimento de função pública, de atos de corrupção, como lavagem de dinheiro, favorecimento ilícito, estelionato e outros.
O MST também se posiciona pelo afastamento imediato de Michel Temer da Presidência, primeiro presidente na História acusado formalmente de corrupção pela Procuradoria Geral da República (PGR), bem como a convocação de eleições diretas para a escolha do próximo a ocupar a cadeira tirada de Dilma.
É nítida a relação das grandes empresas do agronegócio com os esquemas de propinas, compra de parlamentares, lavagens de dinheiro e até envolvimento com o tráfico de drogas.
O último caso, em que um avião cheio de cocaína foi identificado decolando da propriedade do próprio ministro da agricultura, o Rei da Soja Blairo Maggi, escancara as relações promíscuas empreendidas pelo agronegócio.
Para reposicionar a pauta da luta pela terra e pela Reforma Agrária na agenda nacional e para influenciar na conjuntura geral pelo “Fora Temer”, o MST realiza a partir do dia 25 a Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária.
Manifestações acontecem no Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Sergipe, Rio Grande do Norte, Piauí e Maranhão.
MST ocupa fazenda do “amigo” de TemerA fazenda do Coronel Lima, parceiro de longa data do presidente golpista Michel Temer, segundo declarações do mesmo, foi ocupada na madrugada desta terça-feira, 24 (dia dos Trabalhadores Rurais), por 800 integrantes do MST.
A ação faz parte da Jornada Nacional de Lutas com o tema “Corruptos, devolvam nossas terras!”
O movimento exige que a área seja destinada à reforma agrária.
As terras, que levam o nome da antiga estação ferroviária, chamada Esmeralda, localizam-se em Duartina, no interior de São Paulo e somam 1500 hectares.
Oficialmente estão registradas como sede da empresa Argeplan (Arquitetura e Engenharia Ltda.), no entanto moradores locais a identificam como “a fazenda do Temer” e afirmam que grande parte da área foi grilada.
Esta é a segunda vez que o movimento ocupa a Fazenda Esmeralda. Na primeira ocupação foram encontradas cartas endereçadas a Temer e materiais de sua campanha à deputado federal de 2006.
“Somos herdeiros de uma história da oligarquia corrupta que adquiriu terras assassinando indígenas, escravizando e cometendo atrocidades no processo de formação da sociedade brasileira. Estamos aqui para cobrar o que é nosso por direitos. Todas as terras de corruptos devem ser devolvidas ao povo”, reivindicou Mercedes Zuliane, dirigente nacional do MST.
A obscura relação entre MT e a “laranja Lima”
Temer e João Batista Lima Filho, o Coronel Lima, se conheceram nos anos 80, quando o peemedebista ocupava a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e Lima trabalhava na Assistência Militar da pasta.
Nos anos 90 Coronel Lima e a Argeplan contribuíram para as campanhas de Temer. Já em 94 a empresa doou a Temer ao menos 500 mil reais em valores atualizados. “O crescimento econômico e político deles aconteceu simultaneamente, isso só mostra uma parceira que vai muito além de amizade”, afirma a dirigente.
De acordo com diversas denúncias o coronel ajudou Temer a construir sua carreira política e seu patrimônio com base em propinas e extorsões.
A primeira ligação aparece no caso do porto de Santos, denunciado por Erika Santos, então esposa de Marcelo de Azeredo. Na ocasião ela entregou à justiça documentos em que constavam a divisão da propina em 25% para Azeredo, 25% para Lima e 50% para Temer. O processo foi arquivado em segredo de Justiça na secretaria da 6ª Vara Criminal Federal.
Em seguida, a tentativa de delação premiada de José Antonio Sobrinho, dono da Engevixm, revelou que a indicação do presidente da Eletronuclear, almirante Othon Pinheiro, acusado de receber propinas em contratos da empresa, foi feita por Michel Temer. O golpista teria cobrado R$ 1 milhão por contratos da empresa junto à Eletronuclear, pagos ao coronel Lima.
O caso que envolve o dono da Engevix e a Eletronuclear foi desmembrado pelo STF. Ficou fora da Lava Jato.
O contador Florisvaldo Caetano de Oliveira, apontado como responsável pelas entregas de dinheiro a políticos do grupo da J&F, relatou ao menos dois encontros com o “amigo” de Temer.
De acordo com a delação, no segundo encontro Oliveira entregou R$ 1 milhão em espécie para Lima. O mesmo fato aparece na delação do diretor de relações Institucionais da J&F, Ricardo Saud.
Já na Fazenda Esmeralda, o prefeito Enio Simão, do PSDB, lembra que participou de um evento com Temer na propriedade, na campanha eleitoral de 2010. O peemedebista chegou de helicóptero.
Por reforma agrária
O MST aponta a retomada das políticas de reforma agrária, inclusive nas terras de políticos da estirpe de Michel Temer e coronel Lima, como uma das alternativas para geração de emprego, renda e produção de alimentos saudáveis. E defende a revogação de todas as medidas que retiram direitos dos trabalhadores.
“O objetivo desta jornada é denunciar o achaque à constituição brasileira, promovido pelo governo golpista de Michel Temer, tanto com as medidas provisórias absurdas que vem destruindo os direitos dos brasileiros, como com suas práticas corruptas escancaradas, junto a seus aliados”, esclarece Zuliane.
Desde o golpe, a bancada ruralista tem sido premiada com medidas como a MP 759, que prevê a entrega de títulos aos assentados, institucionalizando a venda destes e regularizando terras griladas na Amazônia. Além da alteração da Lei 5.079|71, que visa flexibilizar a compra de terras por estrangeiros e empresas transnacionais.
O cenário político também abre espaço para a retomada brutal da violência no campo. Segundo o Caderno de Conflitos no Campo, lançado neste ano pela CPT, 2016 contabilizou o maior número de assassinatos em conflitos de terra desde 2003. Foram 61 mortes no ano passado. Em 2017, já se contabilizam mais de 40 assassinatos.
Para Mercedes Zuliane esta é uma das características mais brutais do golpe. “A invisibilidade da realidade no campo e o estado exceção promovido por estas elites políticas espúrias garante a liberdade para o antigo latifúndio e o agronegócio atuarem expondo sua face mais cruel, matando a população rural e aqueles que lutam por ela, com requintes de tortura”, denuncia.
Ela também convida a população urbana a reagir. “Todos os trabalhadores e trabalhadoras estão sendo massacrados, de uma forma ou de outra. É o momento de nos unirmos e com apoio mútuo retomar a democracia, num processo de luta de todo povo brasileiro pela verdadeira justiça”.
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SAÚDE PUBLICA E TERCEIRIZAÇÃO, O DIA MAIS DIFÍCIL DO PREFEITO DE SANTARÉM ATÉ AGORA




#Audiência Publica sobre a decisão monocrática da Administração do Prefeito Nélio Aguiar de 
Terceirizar a gestão do Hospital Municipal e da UPA de Santarém acabou por se tornar um debate 
entre surdos. 
Foi uma audiência em cima de um fato consumado, sem volta. Ou seja uma audiência publica para 
discutir um fato já decidido pela administração.
Quem pagou o pato foi o próprio Prefeito, no seu dia mais difícil frente ao povo santareno. 
Não foi um dia fácil para o Dr. Nélio, tentando explicar o projeto de terceirização do Hospital 
Municipal de Santarém pra uma plateia quase toda contra. 
Tambem o destempero do Secr. Saúde Edson Filho, numa fala descontrolada e agressiva que ao invés 
de esclarecer, inflamou o ambiente, até então sem tantas bicadas fora do script. 
E o pior: se retirou em seguida, quando o microfone foi aberto ao público, deixando seu chefe na 
mesa ouvindo além do que precisava. 
Apesar dos pesares, de positivo vimos um Prefeito indo até lá e ficando até o fim, dando a cara pra 
bater, se expressando com calma, tecnicamente (fazendo o que seu Secretário deveria ter feito), em 
momento algum faltando com respeito. 
Só nos resta torcer pra que esteja certo. Daqui um ano saberemos. E teremos outra audiência. #ControleSocialSempre

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Mr. Bean e a lavagem de apartamento da Lava Jato

De todos os absurdos lógicos da Lava Jato, o campeão inconteste é o caso do apartamento que foi lavado. Segundo a brilhante versão dos bravos procuradores da Lava Jato, endossada pelo juiz Sérgio Moro, o tal triplex foi uma propina paga a Lula, em troca de facilidades em três contratos com a Petrobras (depois, quando não conseguiram provas documentais sobre os tais contratos, trocaram por contrato genéricos).
Toda a lógica da lavagem de dinheiro é a da destruição dos rastros das propinas.
O corruptor paga o corrupto em conta no exterior, preferencialmente em paraíso fiscal em nome de uma offshore – isto é, uma empresa aberta no exterior. A empresa é registrada por um escritório especializado, que fornece seu próprio endereço como endereço da empresa.
Só o dono da empresa e o escritório de advocacia sabem de quem.
A grande característica, comum a todos os processos de lavagem de dinheiro:
  1. Não se pode saber de onde veio o dinheiro. Isto é, a identidade do corruptor.
  2. Não se pode saber para quem foi o dinheiro. Isto é, a identidade do corrupto.
É por isso que, para trazer dinheiro de volta para o Brasil, recorre-se a diversos métodos de lavagem: compra de obras de arte, compra superfaturada de imóveis, compras de sites superfaturados e coisas do gênero (antigamente eram as famosas heranças de tias distantes).
É nisso o que os bravos procuradores se apegam para confessar sua impossibilidade de apresentar provas das corrupções denunciadas. Como explicam, o dinheiro é um bem fungível, ou seja, pode ser substituído por outro da mesma espécie.
De repente, o comandante maior do maior esquema de corrupção do planeta, o mais sofisticado, aquele que envolve centenas de empresas offshore, de paraísos fiscais, é acusado de ter montado a seguinte operação: em vez de pagamento em espécie, através de algum fundo offshore, exige um apartamento mobiliado, para uso próprio.
Cria-se, então, uma história à altura de Mr. Bean.
A OAS (corruptora) dá um apartamento a Lula (o corrompido). E, espertamente, para disfarçar o rastro do dinheiro, não repassa o título de propriedade.
Imagine-se a cena. Lula sai na calçada para ir para a praia com seu engradado de cerveja na cabeça e o transeunte pergunta:
- Você mora aqui?
- Moro.
- É apartamento próprio?
- Não, a OAS me empresta nos fins de semana.
Como já conceituei, é o primeiro caso em que lavagem de dinheiro foi substituída por lavagem de apartamento.
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DESMANCHE DA INFRAERO AUMENTA TARIFAS, EXPULSA POBRES DOS AEROPORTOS E SERVE PARA ARRECADAÇÃO DA CAMPANHA DO PMDB EM 2018


por Luiz Carlos Azenha

O golpe perpetrado por Michel Temer, Eliseu Padilha e Moreira Franco terá um impacto dramático num setor da economia essencial à integração nacional, com consequências de longo prazo que serão sentidas por milhões de brasileiros, denuncia Rangel Alves, diretor do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (SINA).
O debate sobre o assunto talvez tenha ficado submerso à esquerda porque a origem do desastre se deu no governo Dilma, que promoveu as primeiras grandes privatizações do setor — “concessões”, enfatizavam petistas à época: Guarulhos, Campinas, Confins, Brasília e o Galeão, no Rio de Janeiro.
As chamadas “joias da coroa”, altamente lucrativas, foram entregues a grandes grupos econômicos, muitos dos quais ligados ao capital internacional, com a justificativa de que um Fundo Nacional da Aviação Civil administraria as receitas aplicando na expansão da malha aeroviária.
Seriam, nos planos do governo deposto, até 800 aeroportos regionais atendendo às cidades de 100 mil habitantes ou mais.
Com isso, justificou-se o desmanche da Infraero, a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária, criada em 1973.
A empresa tem mais de 10 mil funcionários.
No passado, a Infraero sempre trabalhou com a ideia do subsídio cruzado: o lucro obtido nos aeroportos mais rentáveis sustentava a manutenção dos deficitários.
O argumento para desmontar esta lógica é de que a Infraero não geraria dinheiro suficiente para todos os novos investimentos necessários no setor.
Segundo Rangel, o projeto de Dilma foi golpeado junto com a mandatária.
Hoje, o dirigente sindical se pergunta onde foi parar o dinheiro obtido com a “privataria” das joias da coroa”.
Suspeita que foi usado para reforçar o caixa do governo no momento em que Temer precisava “pagar” pelo golpe.
Enquanto isso, as tarifas nos aeroportos dispararam, do preço escandaloso do estacionamento em Guarulhos ao cafezinho que custa uma refeição em Brasília.



Com a gentrificação dos aeroportos, só Aécio Neves pode cuidar da expansão da malha aeroviária
A classe média, enfim, teve sua vingança: boa parte das classes C,D e E foi espantada dos aeroportos, que voltaram a ser enclaves dos mais ricos com lojas luxuosas e um aspecto de shopping center.
“Acabou a função social do aeroporto”, denuncia Rangel.
Morador de Joinville, em Santa Catarina, mas originário do Rio Grande do Sul, ele exemplifica com a sua própria rotina o drama que muitos brasileiros acreditavam estar a caminho do fim: “Para fazer esta viagem de avião, tenho de voar de Joinville até São Paulo e só dali para minha cidade de origem”.
Com o lucro dos aeroportos mais rentáveis na mão de grupos econômicos que só pensam em dinheiro, Rangel acredita que os aeroportos regionais e locais correm o risco de serem transferidos para estados e municípios falidos.
Ou seja, ele e outros sindicalistas temem que a malha aeroviária brasileira, fora das grandes metrópoles e cidades principais, corre o risco de ter o mesmo destino das antigas estações de trem.
Rangel diz que hoje companhias aéreas e empresas concessionárias duelam por seus interesses no Congresso, deixando os passageiros em terceiro plano.
Funcionário de carreira da Infraero, ele reconhece que a empresa foi historicamente utilizada como cabide de emprego. Mas nem a Agência Nacional da Aviação Civil (ANAC), nem a Secretaria de Aviação Civil, que tem status de ministério e é ligada diretamente à presidência da República, administram com eficiência o setor.
Os indicados não são do ramo e frequentemente atravessam a porta giratória, ora trabalhando como servidores públicos, ora ligados a interesses privados.
Rangel Alves diz que é questão de tempo até que estourem grandes escândalos relativos às obras de construção e ampliação dos aeroportos no período da Copa do Mundo.
Ele estranha a falta de ação do Tribunal de Contas da União (TCU), especialmente considerando que as obras foram financiadas pelo BNDES — ou seja, o Tesouro, que já havia bancado a construção original dos aeroportos, pagou pela modernização de bens públicos em seguida entregues à iniciativa privada.


Sindicalistas ligados ao setor querem uma CPI para tratar do assunto. Um deles, Alex Fabiano Oliveira da Costa, presidente da Associação Nacional dos Empregados da Infraero (ANEI), chegou a registrar em cartório que temia pela própria vida.
Ele foi um dos participantes de audiência pública na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados que tratou da privatização da Infraero (ver o discurso de Alex acima e a íntegra abaixo).
Assim como Michel Temer fez carreira achacando empresários do porto de Santos, o hoje ministro da Casa Civil Eliseu Padilha subiu na vida tomando dinheiro de empreiteiras no Rio Grande do Sul.
Padilha, significativamente, foi ministro dos Transportes de Fernando Henrique Cardoso de 1997 a 2001. No segundo governo Dilma, foi ministro da Secretaria de Aviação Civil.
Para o sindicalista Rangel Alves, Padilha e Moreira Franco foram os artífices da privataria dos aeroportos no segundo mandato de Dilma.
Sob Temer, Moreira Franco assumiu o Programa de Parcerias e Investimentos (PPI) antes de ser guindado à Secretaria-Geral da Presidência da República.
“Presidiu”, assim, a privatização de mais quatro aeroportos: a alemã Fraport ficou com os de Fortaleza e Porto Alegre, a francesa Vinci ficou com o de Salvador e a suiça Zurich com o de Florianópolis.
“Reconquistamos credibilidade no cenário internacional”, festejou Temer à época.
Para o diretor do Sindicato dos Aeroportuários, o motivo da comemoração é outro: o esquema dos aeroportos faz parte da montagem do caixa de campanha do PMDB para 2018.
Se Temer não for derrubado, o dinheiro para a sobrevivência política “da turma” dele está garantido, sustenta Rangel Alves.
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GOLPE FAZ A LIMPEZA RACIAL

segunda-feira, 24 de julho de 2017

FARC se transformarão em partido político a partir de 1º de setembro


Depois de deixar 100% das armas, 
guerrilheiros se reúnem para discutir 
propostas que darão origem à plataforma 
política do novo partido

As Forças Armadas Revolucionárias da
Colômbia (FARC) anunciaram nesta segunda-
feira (24) que se transformarão em partido
político a partir de 1º de setembro, anunciou
Carlos Antonio Lozada, um dos membros da
guerrilha, em uma entrevista coletiva.
O novo partido será apresentado em um ato na
Praça Bolívar, em Bogotá, capital da Colômbia.
Em 27 de maio de 2018, a Colômbia terá
eleições presidenciais e legislativas.
Os membros das FARC se reuniram na última
semana para discutir a formação do partido e
discutir quem serão os candidatos a disputar as
eleições.
Segundo Carlos Antonio Lozada, os dirigentes das FARC estão recebendo relatórios de diferentes
departamentos do país, encarregados de elaborar as propostas para compor a plataforma política.
“Temos uma proposta de modelo econômico, a política de gênero que será realizada por nosso
partido, as propostas que faremos ao setor da juventude, bem como a defesa do meio ambiente, a
política do partido frente à questão urbana e, igualmente, para a parte agrária”, disse.
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LULA: O “O Moro estava comprometido com a (Rede) Globo e com o Jornal Nacional, por isso, tinha de me condenar!”



POR FERNANDO BRITO

“O Brasil precisa de um presidente eleito pelo povo e de muita tranquilidade para poder voltar a 
crescer”.
A frase é de um Lula tranquilo, na entrevista que deu à Rede Tiradentes, do Amazonas, na manhã de 
hoje.
Tranquilo até mesmo quando os apresentadores, Ronaldo Tiradentes e Neuton Corrêa, no programa 
Manhã de Notícias, perguntaram sobre o bloqueio de seus bens, determinado por Sérgio Moro.
“Eu estou tranquilo porque tenho a consciência tranquila. Quero que eles provem que entrou um real 
ilícito na minha vida. Eles já procuraram dinheiro na Suíça, na Finlândia, na Noruega, no Japão…Já 
acharam do Serra, já acharam do Aécio, já acharam do Temer, já acharam de todo mundo…Eu quero 
que achem meu. Quando acharem,, me condenem, não tem nenhum problema, eu não estou acima da 
lei”.
Lula disse que se sente “injustiçado” e que a decisão da Justiça “seria diferente se o juiz Sérgio Moro 
respeitasse os autos do processo”.
“O Moro estava comprometido com a (Rede) Globo e com o Jornal Nacional, por isso, tinha de me 
condenar!”
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O TRÁFICO E O FILHO DA DESEMBARGADORA

Breno Fernando Solon Borges é um cidadão de 1ª classe

No início do ano, o Superior Tribunal de Justiça confirmou a condenação a quatro anos e 11 meses 
de prisão de um homem preso em flagrante por entregar a outro um cigarro com 0,02 grama de 
maconha.
Já a Justiça Federal do Espírito Santo ainda não julgou os quatro homens apanhados tentando 
desembarcar 445 quilos de cocaína de alta pureza, há quase quatro anos.
O que havia de diferente nos dois casos, além da brutal diferença de quantidade de droga apreendida?
O homem condenado a quatro anos e onze meses de prisão já se encontrava preso na Cadeia Pública 
de Cataguases, Minas Gerais, quando um policial civil o viu entregar a outro detento um pacotinho 
com a maconha, tão pequeno que era difícil enxergar de longe. Seria um pouco mais grosso que um 
palito de fósforo.
Já os 445 quilos de pasta base de cocaína foram apreendidos por uma força tarefa que uniu policiais 
federais e policiais militares do Espírito Santo e estavam sendo descarregados do helicóptero da 
família do senador Zezé Perrella, também de Minas Gerais.
A quantidade de drogas era tanta que encheu o porta-malas do Volkswagen Polo que aguardava no 
interior de uma fazenda pela chegada da droga, embarcada no Paraguai.
O helicóptero foi devolvido à família do senador, apesar da legislação prever o confisco de bens 
usados no tráfico. Os pilotos foram soltos seis meses depois do flagrante, assim como dois ajudantes. 
Já o presidiário de Cataguases vai passar mais alguns anos trancado na cadeia.
Agora, do Mato Grosso do Sul, vem a notícia de que o filho da presidente do Tribunal Regional 
Eleitoral de Mato Grosso do Sul, a desembargadora Tânia Garcia de Freitas Borges, foi solto, apesar 
das provas que existem do envolvimento dele com o tráfico de drogas.
Tânia, desembargadora e agora tutora de um acusado de narcotráfico e ligações com o crime 
organizado.

Breno Fernando Solon Borges, de 37 anos foi preso pela Polícia Rodoviária Federal em abril deste 
ano, com 130 quilos de maconha, 199 projéteis calibre 7.62 e 71 projéteis de pistola 9 milímetros, 
munição para armas de uso restrito das Forças Armadas.
O empresário é dono de metalúrgicas e serralherias em Campo Grande e outros estados, como 
Paraná e Santa Catarina, e foi preso pela Polícia Rodoviária Federal quando viajava com a namorada 
e um funcionário dele, em dois carros.
Interrogado, o filho da desembargadora não revelou a origem do armamento e das drogas e nem dos 
supostos compradores. Já tinha passagem pela polícia, por porte ilegal de arma, e era investigado sob 
a suspeita de participar de um esquema de tráfico de drogas e armas para traficantes do interior de 
São Paulo, utilizando como fachada a participação em corridas de motos.
O nome de Breno também apareceu numa investigação que apurava um plano para resgatar presos.
Nas redes sociais, ostentava uma vida de luxo.
Para ser liberado, seus advogados apresentaram um laudo médico que atribui a ele Síndrome de 
Borderline”, doença “consiste basicamente no desvio dos padrões de comportamento do indivíduo, 
manifestado através de alterações de cognição, de afetividade, de funcionamento interpessoal e 
controle de impulsos.”
O site Campo Grande News cobriu o caso e informou que, em uma das tentativas de libertar Breno, 
com o laudo em mãos, a mãe, presidente do TRE, se ofereceu como tutora para o filho ser internado 
em uma clínica médica. O juiz de primeira instância negou, dada a gravidade da acusação.
Na sexta-feira passada, o desembargador Ruy Celso Barbosa Florence tomou uma decisão diferente: 
liberou Breno da prisão. O compromisso assumido pela defesa é que ele se submeterá a tratamento 
psiquiátrico adequado, sob a tutela e responsabilidade da mãe, que se comprometeu a levá-lo a todas 
as audiências do processo.
Enquanto isso, as cadeias em todo o Brasil enfrentam o problema da superlotação por conta da 
chegada de novas levas de acusados de tráfico. Casos como o do presidiário condenado por conta de 
0,02 gramas de maconha. Muitos dos presos são mulheres e negros, quase todos são pobres.

Munição apreendida com o filho da desembargadora: suspeita de que ele ajudaria no resgate 
de presos.

“Em Curitiba existe um acordo para condenar Lula”


Aragão, Moro e Kakay

Por Pedro Zambarda de Araujo 

“Todas as questões relativas ao apartamento triplex foram objeto de longa análise da sentença. Mais de uma vez consignou-se que, na apreciação de crimes de corrupção e lavagem, o Juízo não pode se prender unicamente à titularidade formal. Assim não fosse, caberia, ilustrativamente, ter absolvido Eduardo Cosentino da Cunha na ação penal 5051606-23.2016.4.04.7000, pois ele também afirmava como álibi que não era o titular das contas no exterior que haviam recebido depósitos de vantagem indevida, mas somente ‘usufrutuário em vida”.
Assim o juiz Sérgio Moro rechaçou os embargos de declaração da defesa de Lula no dia 18 de julho, após os advogados afirmarem que haviam omissões na condenação de nove anos e seis meses dada no dia 12.
A sentença gerou revolta em alguns círculos jurídicos.
Um grupo de juristas renomados realizará um Tribunal Popular sobre a Lava Jato em Curitiba no dia 11 de agosto, uma sexta-feira. Beatriz Vargas Ramos, Marcello Lavenère, Antônio Maues, Juliana Teixeira, Gerson Silva, José Carlos Portella Júnior, Michelle Cabrera, Claudia Maria Barbos e Vera Karam Chueiri estão no corpo de jurados.
O juiz de direito em Alagoas Marcelo Tadeu Lemos será o presidente da sessão, enquanto o ex-ministro da Justiça e procurador Eugênio Aragão será responsável pela acusação contra a operação neste evento.
O advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay, ficará com a defesa crítica e irônica da Lava Jato. Ele atendeu já Demóstenes Torres, José Sarney, José Dirceu e Aécio Neves.
O DCM entrou em contato com a organização do evento, o Coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia (CAAD), para saber detalhes de como vai funcionar.
O evento deveria ter ocorrido numa data anterior. No dia 2 maio, antes do depoimento de Lula diante de Sérgio Moro, uma aula sobre questões jurídicas da Lava Jato foi realizada no Sindicato dos Jornalistas (SINDIJOR).
Em 9 de maio, ocorreu outra reunião pública na Praça Tiradentes de Curitiba. Depois da mobilização, os encontros ocorreram em 13 de junho no Moradias 23 de Agosto, associação que fica na periferia da capital do Paraná.
Se o Tribunal Popular for bem-sucedido, a ideia dos organizadores é levá-lo ao STF em Brasília, seguindo o mesmo modelo de trabalho voluntário com investimento dos próprios advogados.
Segundo os organizadores, considerando o trabalho de Marcello Lavenère com Kakay no Tribunal Popular que julgou o massacre de Carajás dentro do Senado, a ideia dos magistrados é julgar a Operação Lava Jato — sem “fulanizar” para aumentar a compreensão e o alcance sobre o que realmente se passou.
O grupo teme ser associado com o PT ou com simpatizantes de Lula? “A associação indevida já acontece, queiramos ou não. Na página do Tribunal Popular no Facebook já existem insinuações, mas não há o que temer. Associações do Eugênio Aragão que foi ministério da Justiça de Dilma, assim como de outros membros do coletivo, é a primeira apelação que os veículos golpistas costumam fazer. O CAAD abriga juristas progressistas. Se alguma associação direta tivesse que ser feita, deveria ser consideradas as as centrais sindicais e os movimentos sociais populares de mulheres e feministas, negros, LGBTs e outras legendas, como PCdoB, o PDT, o PCO e PSOL”, responde a advogada Tânia Mandarino, uma das organizadoras diretas do evento.
O local ainda será definido nos próximos dias e será divulgado na fanpage do evento no Facebook. A previsão de início será às 14 horas do dia 11 de agosto para acabar às 22 horas em Curitiba.
Kakay falou ao DCM sobre o julgamento de Lula. “Eu concordo em linhas gerais com a defesa do ex-presidente. A acusação é que tem que fazer a prova, que não foi feita. Durante as audiências de instrução que pude acompanhar na imprensa e nos vídeos, o juiz Sérgio Moro se comportou mais como um juiz da Inquisição do que como deveria ser. As perguntas feitas de maneira agressiva e completamente fora do contexto seriam indeferidas se partissem de um dos advogados”, diz.
“Deveríamos, há muito tempo, saber que o juiz que faz a instrução [que ouve as partes] não deve ser o que vai julgar a causa. O doutor Sérgio Moro fez durante todo o primeiro procedimento uma série de medidas que já inviabilizaria a condução técnica e imparcial do processo. O que ocorre no julgamento dentro da 13ª Vara de Curitiba é um acordo entre a acusação, o juiz, o Ministério Público e a Polícia Federal. Sérgio Moro não tem a imparcialidade para julgar o ex-presidente Lula num processo deste porte”.
O ex-ministro da Justiça do governo Dilma Rousseff, Eugênio Aragão, resume os principais problemas da Lava Jato: “Moro é um ‘Rechtsbeuger’, uma burocrata que distorce conscientemente a norma jurídica em detrimento dos direitos de investigados e acusados. O que ele produz deixou há muito tempo de merecer o nome de ‘Direito’ para ingressar na seara da política rasteira, persecutória de inimigos ideológicos. O discurso barato e simplório esconde o estrago que sua cruzada moralista tem causado às instituições e à democracia. É da natureza do fascismo servir-se de falsos truísmos para mobilizar massas no reforço de interesses latentes”.
Aragão colocará que a operação chefiada por Sérgio Moro quis impulsionar o Ministério Público e do Judiciário dentro de um projeto político corporativo.
“Defender a democracia no Brasil passa necessariamente pelo enquadramento da operação dentro dos limites do regramento do Estado Democrático de Direito”, finaliza o ex-ministro.
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O FRANGOTE PARIU UM RATO

 

Luis Nassif


Peça 1 – o enredo da Lava Jato

Apesar do comando difuso, entre mídia, troupe de Eduardo Cunha, PSDB e Departamento de Estado norte-americano (através da cooperação internacional), a trama da Lava Jato era de roteiro relativamente simples.
Haveria uma ação intermediária, o impeachment de Dilma. Depois, a ação definitiva, a condenação de Lula com o esfacelamento automático do PT como força política.
Houve intercorrências inevitáveis – como as denúncias contra próceres tucanos, rapidamente abafadas -, importantes para se tentar conferir legitimidade política  ao jogo, e um desastre imprevisível: as delações da JBS que atingiram Aécio Neves no peito. Aí o elefante ficou muito grande para ser escondido debaixo do tapete.
Tudo caminhava nos conformes. Inclusive chantagear o grupo que assumiu interinamente o poder, obrigando-o a caminhar com o desmonte do Estado social para conseguir alguma sobrevida política. Depois engaiolá-los como grande gesto final.
Mas cometeram um erro central: apostaram tudo em um cavalo manco, o grupo de bacharéis de Curitiba, procuradores e delegados, e em um juiz sem noção que tocou os inquéritos da Lava Jato.
Aí o plano começou a degringolar.

Peça 2 – os cabeças de planilha e o os cabeças de vade mecum

Na economia, cansei de descrever o tipo intitulado cabeça-de-planilha.
Como se faz ciência aplicada:
1.     O sujeito se forma, muitas vezes frequenta universidades estrangeiras e volta armado de um instrumental teórico.
2.     Depois, precisa mergulhar na analise de caso, a economia ou, no caso de procuradores, o processo que está sendo tocado. Essa é a etapa principal, a capacidade de captar todos os detalhes, estabelecer correlações e desenvolver uma narrativa factível que identifique claramente o criminoso. Não se confunda preparo com competência ou inteligência. No Ministério Público mesmo, há inúmeras evidências de procuradores com menor aparato teórico produzindo mais resultados do que outros com PhDs, porque muito mais capacitados.
3.     Só depois de levantados todos os dados, as provas e evidências, recorre-se ao aparato teórico para definir a narrativa, os crimes identificados e a punição requerida. Evidentemente, quando se casa aparato teórica com inteligência analítica, se tem o super-economista e o super-procurador.
Anos atrás aprendi uma regra de ouro com um grande físico brasileiro: quem pensa claro, escreve claro. Quando o sujeito recorrer a muitas firulas em defesa de sua tese, de duas, uma: ou é um gênio ou embusteiro. Gênio, só conheci Einstein, me dizia ele.
O economista medíocre salta a etapa principal, da analise de caso. Vai direto na teoria que aprendeu e faz como os cabeções do Banco Central: derrubam a inflação abaixo do piso da meta, prognosticando a entrada do país na depressão.
O mesmo ocorre com procuradores (e advogados) com baixa capacidade analítica e bom estofo teórico. Tratam de fugir da análise de caso e rechear as peças com firulas sem fim, como creme de leite para disfarçar a falta de consistência do bolo.
No caso da Lava Jato, sua  estratégia consistiu em criar uma narrativa prévia, obrigar os delatores a preencher as lacunas com meras declarações, tipo “Lula sabia de tudo”, colocar os técnicos para pesquisar os bancos de dados da Receita, COAF, Bacen, juntar pitadas da cooperação internacional, tudo devidamente vazado para a imprensa, para passar a ideia de uma avalanche incontornável.
Se não for suficiente, dentro do Código Penal em vigor, eles dão um by-pass: se valem de um suponhamos que o Código Penal fosse outro.
Me lembram muito um professor de química do científico que foi até Ouro Preto e, na Faculdade de Engenharia, foi confrontado com uma enigma lógico que ninguém conseguia resolver. Quando chegou no ponto nevrálgico, pulou para a resposta conhecida. Aí perguntaram em qual lei da química ele tinha se baseado. E ele: acabei de criar.
Para suprir a falta de elementos, o criativo procurador Deltan Dallagnol apelou para sua erudição-de-pegar-incautos e citou teorias contemporâneas, sobre analises probabilísticas.
Confrontado com a opinião de pesos-pesados do direito, que mostraram que as teorias se aplicavam às técnicas de investigação, jamais como prova jurídica, as piruetas retóricas de Dallagnol  lembraram cenas do filme Indiana Jones. Mais especificamente aquela em que o beduíno puxa a cimitarra, piruleteia  para cá e para lá, um malabarismo aqui, um volteio acolá e Indiana Jones olhando. Até que acaba com a brincadeira simplesmente sacando o revólver e dando-lhe um tiro.

Peça 3 - as teorias probabilísticas de Dallagnol

Na peça de acusação do caso triplex, Dallagnol supre a carência de provas com teorias probabilísticas, que são utilizadas apenas para dar mais foco às investigações.
Vejamos como ele aplicou a teoria na prática, em uma análise de caso simples.
Veja a charada:
1.     Você tem três balas parra atingir Lula, antes que ele se candidate a presidente novamente: o triplex, o terreno para o Instituto Lula e o sítio de Atibaia.
2.     Pelos prazos em curso, só há tempo para um tiro. Qual você escolhe.
Vamos a um pequeno exercício de probabilidade:
Caso      
Provas
Evidências de posse
Triplex
Nenhuma
Uma ou duas visitas. Sem usufruto.
Terreno
Nenhuma
Nenhuma
Sítio de Atibaia
Nenhuma
Usufruto, com dona Marisa participando diretamente das reformas e a família frequentando o sítio.

Os três casos são fracos.
Não há dúvida de que houve mimos de empreiteiras para Lula. Afinal, o modelo de desenvolvimento adotado no seu governo transformou-as em players internacionais, até serem destruídas pela Lava Jato. Além disso, Lula representava um imenso capital diplomático, por sua popularidade especialmente em novos mercados prospectados por elas.
Mas não se levantou prova alguma de que houve contrapartida em contratos, o que caracterizaria a propina. Ou mesmo de que houvesse aumento patrimonial de Lula. Sem as provas, ficam-se nos mimos, sem acréscimo patrimonial, sem enriquecimento ilícito.
Mesmo assim, dentre os três processos, o único que poderia melhorar um pouco a probabilidade dos bacharéis seria o sítio de Atibaia, devido ao usufruto.
Mas decidiram apostar tudo no triplex, confiando no depoimento (alterado) de Léo Pinheiro, o cappo da OAS.
A peça é curiosa porque desenvolve toda uma teoria para uma nova qualificação de organização criminosa: a organização política, que prescindiria da apresentação de provas objetivas. Usa uma retórica inflamada, repetindo exaustivamente que Lula comandava uma organização criminosa, que os crimes eram difusos, que haveria dificuldade para identificar as provas. E, na mesma peça, diz que as propinas são provenientes de três contratos específicos. Especificou, tem que provar. Ou seja, uma baita volta para justificar a impossibilidade de levantar provas e, no meio, a afirmação taxativa de que as propinas foram originárias de três obras, o que exigiria a comprovação com provas.
Aí houve o caso curiosíssimo do juiz que copidescou o procurador.
Logo que começou a Lava Jato, defensores da cumplicidade entre juiz, procuradores e delegados alegavam que, havendo essa combinação, o juiz poderia corrigir erros dos procuradores e delegados no decorrer dos inquéritos e processos.
A afirmação já parecia estranha mas, enfim, estava-se nem pleno reinado do direito penal do inimigo, brilhantemente defendido pelo Ministro Luís Roberto Barroso.
O que não se esperava é que o juiz corrigisse a própria peça final de acusação. Para salvar o caso, Moro teve que reescrever a acusação afirmando que as propinas foram originárias de vários contratos, não especificamente da Petrobras.

Peça 4 – o partidarismo é mau negócio

Toda a argumentação de Dallagnol estaria adequada em uma ação civil contra Lula. Através dela, teria mais possibilidade de condenar Lula, cassar sua aposentadoria, impor multas elevadas, simplesmente porque na ação civil não há a necessidade da prova final.
Veja o seguinte exemplo:
1.     Um fazendeiro contrata um ajudante para vigiar a fazenda.
2.     O ajudante mata um invasor.
Uma ação criminal só conseguiria condenar o fazendeiro se comprovasse cabalmente que ele deu a ordem, que autorizou o ajudante a atirar em quem entrasse. Não bastaria mostrar i contrato de trabalho. Já em uma ação civil certamente o fazendeiro seria condenado a indenizar a família da vítima. A ação civil não exigiria o detalhamento do crime e sujeitaria o réu a um conjunto de sanções.
O domínio do fato – pretendido por Dallagnol para imputar a Lula o comando dos esquemas criminosos – não tem o condão de fazer com que uma responsabilidade subjetiva se torne objetiva. Numa ação civil, haveria mais possibilidade de condenar a falta de providências de Lula.
Com seu palavrório, Dallagnol pretendeu uma nova teoria do direito para crimes de poder. Quis reescrever a teoria da prova sem dispor de fôlego intelectual para tanto, razão de ter sido fuzilado por juristas mais preparados.
O Código Penal brasileiro é da legalidade estrita. Só existe crime se tiver lei penal descrevendo o crime e se for provado em todos os fatos e ainda provado o dolo do agente.
Não se pode importar princípios de fora. O próprio Ministério Público tentou introduzir a imprescritibilidade dos crimes contra a humanidade no Brasil e não conseguiu. Os criminosos podem ser punidos, mas foi mantido o prazo de prescrição.
E foi assim, por presunção, onipotência, pelo embevecimento com as repercussões no Twitter e no Facebook, pela ambição de ser o homem que levou Lula de volta para a prisão  que a montanha de citações de Dallagnol pariu um rato.

sábado, 22 de julho de 2017

Países da Alba rechaçam, em comunicado, ameaça de sanções dos EUA contra Venezuela


Membros da Alba, em foto de 2017: rechaço às ameaças dos EUA contra Venezuela. “O 
anúncio de impor sanções econômicas contra o povo venezuelano constitui uma clara violação 
do direito internacional e uma inaceitável aplicação intervencionista das leis estadunidenses", 
diz texto

Em comunicado divulgado na noite desta sexta-feira (22/07), os países da Alba (Aliança Bolivariana 
para os Países da Nossa América) – grupo composto por Venezuela, Antígua e Barbuda, Bolívia, 
Cuba, Dominca, Equador, Granada, Nicarágua, São Cristóvão e Neves, Santa Lúcia, São Vicente e 
Granadinas e Suriname – rechaçou a ameaça feita pelo governo de Donald Trump de impor sanções 
à Venezuela caso a votação para a Assembleia Constituinte, prevista para o próximo dia 30, ocorra.
“O anúncio de impor sanções econômicas contra o povo venezuelano constitui uma clara violação do 
direito internacional e uma inaceitável aplicação intervencionista das leis estadunidenses, que em 
nada contribui à resolução da situação que atravessa o país e que, além disso, impediriam seu 
desenvolvimento”, afirma a nota.
“Os países da Alba-TCP rechaçam àqueles países que não só ignoram o ordenamento jurídico 
venezuelano e o governo constitucional e legítimo do presidente Nicolás Maduro Moros, mas que 
também põem em risco o status da América Latina e do Caribe como zona de paz alcançada no 
encontro da Celac no ano de 2014”, prossegue.
Na terça-feira (18/05), Caracas anunciou o início de um processo de revisão "profunda" das suas 
relações com os Estados Unidos, depois de a Casa Branca ameaçar o país com "fortes e rápidas" 
sanções.
"Aviso, desde já, por instrução do presidente da República, que nós faremos uma revisão profunda 
com o governo dos EUA, porque nós não aceitamos humilhações de ninguém", disse o ministro de 
Relações Exteriores, Samuel Moncada, em uma declaração pela televisão.
"Ao nosso povo, aos nossos chefes militares, nacionalistas, revolucionários, e patriotas, aos nossos 
embaixadores no mundo todo, a todos os meios de comunicação, aos nossos amigos no mundo, este 
é um momento de definição", afirmou Moncada.
Dias antes do anúncio dos EUA, Maduro já havia dito que a Venezuela "é um país livre e soberano e 
não se deixa ameaçar nem intimidar por nenhum império deste mundo".
Relações entre os países
As relações diplomáticas entre a Venezuela e os Estados Unidos se mantêm em ponto morto desde o 
final de 2008, quando o então presidente Hugo Chávez expulsou o embaixador norte-americano 
Patrick Duddy. Ele foi acusado de supostamente estar envolvido em planos para matar o mandatário.
Desde então, e apesar de tentativas de ambos os governos para retomar seus laços diplomáticos, a 
relação de ambos países se mantém em níveis mínimos.
A oposição venezuelana anunciou nesta segunda que buscará um “governo de transição” e convocou 
uma greve geral para quinta (20/07) para tentar elevar a pressão contra a Constituinte promovida 
pelo Executivo.
A Venezuela é palco há mais de três meses de uma onda de protestos, principalmente contra o 
governo, que deixou, até o momento, mais de 90 mortos.
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OS BANDIDOS DE ESTIMAÇÃO: Eis Ricardo Teixeira, eis a Globo, eis o Brasil. Não há a menor possibilidade de dar certo.


Com pedido de prisão nos EUA e Espanha, Ricardo Teixeira já contou ser bandido de 
estimação da Globo

Por Kiko Nogueira

O ex-presidente da CBF entre 1989 e 2012, Ricardo Teixeira, está sendo procurado pela polícia de 
dois países.
Na Espanha, é acusado de lavar dinheiro de comissões ilícitas recebidas na venda de amistosos da 
seleção brasileira.
Ele teria formado uma “organização criminosa” com o ex-presidente do Barcelona, Sandro Rosell, 
preso há quase dois meses.
Nos EUA, responde por fraude, lavagem de dinheiro e por embolsar propinas para beneficiar 
empresas de marketing esportivo. Sua prisão é pedida desde 2015.
Vivendo no Rio de Janeiro, Teixeira está de boa na lagoa, já que não pode ser extraditado. “Tudo que 
me acusam no exterior não é crime no Brasil. Não estou dizendo se fiz ou não”, disse à Folha 
recentemente.
Teixeira não começou ontem. Pôde barbarizar em seu reinado futebolístico com a blindagem total da 
Globo, sua sócia.
A emissora levou as Copas de 2010 e 2014 por 220 milhões de dólares, pagos à Fifa, 100 milhões 
pela primeira e 120 pela segunda. A Record foi preterida com uma oferta de 360 milhões de dólares.
Houve algumas tentativas de CPI na Câmara Federal. Em 2016, Teixeira faltou a seu depoimento 
apresentando um atestado médico. Teria se submetido a uma cirurgia no hospital Albert Einstein.
Em 2011, a revista Piauí publicou uma longa e reveladora matéria sobre esse casamento. Ricardo 
Teixeira e a repórter Daniela Pinheiro se encontraram em Zurique dez vezes.
O entrevistado falou muito e de quase tudo, mas o assunto principal foi seu vínculo de confiança e 
cumplicidade com a TV Globo (em contraposição a seu ódio mortal do jornalista inglês Andrew 
Jennings, autor das reportagens mais devastadoras sobre a corrupção no esporte).
“Só jornalista fala mal de mim”, diz. Não os da Globo. Teixeira se orgulhava de sua parceira não 
repercutir denúncias contra ele. “Só vou ficar preocupado, meu amor, quando sair no Jornal 
Nacional”, afirma.
Daniela conta de um empresário que lhe confidenciou, num certo momento, o receio de ser 
entrevistado pela Rede Globo sobre pacotes de viagem para a Copa de 2014 com “preços 
estratosféricos”.
“Não vai ter isso, não: está tudo sob controle”, declarou o cartola.
Daniela faz referência a um Globo Repórter sobre a CPI da Nike em que se deixava claro que o 
estilo de vida do empresário era incompatível com sua suposta renda.
Ele deu o troco alterando o horário de uma partida entre Brasil e Argentina. Foi a última ocasião em 
que saiu uma matéria negativa sobre a CBF.
“Quanto mais tomo pau da Record, fico com mais crédito na Globo”, afirmou. “Em 2014 posso fazer 
a maldade que for. Não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo. E sabe o que vai 
acontecer? Nada”.
A promiscuidade era absoluta. “Antes de pagar a conta no restaurante, Teixeira falou pelo telefone 
com Evandro Guimarães, lobista da Globo em Brasília. Trocou ideias sobre inseminação de bovinos, 
uma de suas mais novas atividades”, relata a reportagem.
São os bandidos de estimação. Eis Ricardo Teixeira, eis a Globo, eis o Brasil. Não há a menor 
possibilidade de dar certo.
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